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COVID-19 e Manifestações Neurológicas – Um olhar sobre a recuperação funcional no período pós infecção

A COVID-19 tem se apresentado como uma doença heterogênea, multifacetada e bastante complexa. Recentes estudos têm apontado uma ampla diversidade de sintomas / doenças neurológicos associadas ao coronavírus. As causas ainda não estão completamente esclarecidas mas acredita-se que, em parte, seja explicada pela extensa cascata inflamatória desencadeada pela infecção pelo coronavírus.

Dentre os principais sinais e sintomas do Sistema Nervoso Central (SNC) estão a tontura, a dor de cabeça e o comprometimento da consciência. Além disso, são reportados casos de doença cerebrovascular aguda, com acidentes vasculares cerebrais (AVC) geralmente em grandes vasos sanguíneos, ataxia, convulsão, alterações cognitivas e grande agitação psico-motora.

Com relação ao Sistema Nervoso Periférico (SNP), tem sido referidos alguns sintomas que inclusive têm auxiliado ao encaminhamento para o diagnóstico inicial da infecção pelo vírus, incluindo comprometimento do olfato e do paladar e da visão. Casos de polineuropatias, especificamente Guillain-Barré também têm sido associados ao coronavírus.

Alguns sintomas de lesão muscular esquelética têm sido relatados, com níveis muito altos da enzima creationofosfoquinase (CPK) e outros marcadores de destruição muscular. Casos de rabdomiólise começam a aparecer na literatura internacional, com casos reportados na China e EUA.

Todas estas alterações levarão à necessidade de uma equipe de Fisioterapia Neurofuncional preparada para o atendimento dessas pessoas após a saída do período crítico nas unidades de terapia intensiva e ambulatórios específicos. Um artigo sobre reabilitação após COVID-19 (Brugliera et al., 2020) cita que a Fisioterapia será uma das principais profissões na recuperação funcional dos pacientes.

Cientes de que estamos no inicio de todo o processo, resta ficarmos atentos e considerarmos que devido às condições clínicas causadas por imobilização prolongada e deteriorização musculoesquelética, mesmo nas pessoas que não necessitarem de internação, teremos sequelas como sarcopenia e limitações funcionais.

Assim, consideramos importantes aspectos o estabelecimento de metas terapêuticas que considerem:

  • Fortalecimento muscular progressivo, preferencialmente dos grandes grupamentos musculares e com objetivos funcionais, baseados na tarefa orientada;
  • Manutenção da mobilidade global;
  • Estímulo ao equilíbrio estático e dinâmico;
  • Trabalho respiratório, voltado para as sequelas da doença e também relacionados com o diagnóstico pulmonar prévio;
  • Trabalho aeróbio progressivo e de acordo com a possibilidade individual de cada paciente.

Por fim, quando o objetivo é a recuperação funcional, não podemos perder nosso “leme” que é a participação nas atividades rotineiras no próprio domicílio do paciente e também na sociedade em que está inserido, à medida que tudo vá se reestabelecendo.

 

Por Dielise Debona Iucksch

Fisioterapeuta e Mestre em Tecnologia em Saúde pela PUCPR, Doutoranda em Atividade Física e Saúde na UFPR, Coordenadora Prófisio do Ambulatório de Fisioterapia do Hospital de Reabilitação do Paraná e da Pós-Graduação em Fisioterapia Neurofuncional Adulto da Faculdade Inspirar.

 

Referências

Brugliera L, Spina A, Castellazzi P, Cimino P, Tettamanti A, Arcuri P, Iannaccone S. Rehabilitation of Covid-19 Patients. J Rehabil Med 52, 2020. doi: 10.2340/16501977-xxxx

Dafer RM, Osteraas ND,  Biller J. Acute Stroke Care in the Coronavirus Disease 2019 Pandemic. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, 104881, 2020. doi.org/10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2020.104881

Lau HM, Ng GY, Jones AY, Lee EW, Siu EH, Hui DS. A randomised controlled trial of the effectiveness of an exercise training program in patients recovering from severe acute respiratory syndrome. Aust J Physiother 51: 213–219, 2005.

Organização Mundial de Saúde. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Lisboa, 2015.

Oxley TJ, Mocco J, Majidi S, et al. Large-Vessel Stroke as a Presenting Feature of Covid-19 in the Young. N Engl J Med May,  2020.

Mao L, Jin H, Wang M, et al. Neurologic Manifestations of Hospitalized Patients With Coronavirus Disease 2019 in Wuhan, China. JAMA Neurol April 10, 2020. doi:10.1001/jamaneurol.2020.1127

Suwanwongse K, Shabarek N. Rhabdomyolysis as a Presentation of 2019 Novel Coronavirus Disease. Cureus 12, April, 4: e7561, 2020. doi:10.7759/cureus.7561

Toscano G, Palmerini F, Ravaglerini S, et al. Guillain–Barré Syndrome Associated with SARS-CoV-2. N Engl J Med May, 2020.

A atuação e papel do Fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

A atuação do Fisioterapeuta nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) está balizada pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 07 de 2.010, onde os parâmetros quantitativos (número de leitos/profissional e número de horas/dia), além do qualitativos (formação), estão bem definitos.

O papel do fisioterapeuta dentro das UTIs não se limita apenas as suas áreas de domínio especifico como a cinésio, eletro e termoterapia.

Neste ambiente o fisioterapeuta compartilha a responsabilidade do manejo do Suporte Ventilatório (Respiradores), seja ele invasivo ou não invasivo, principalmente no que tange ao diagnóstico e manejo da mecânica ventiladora, balizados pela leitura de grandezas como a Complacência, Resistência e Elasticidade.

É de plena responsabilidade do Fisioterapeuta o ajuste de forma mais confortável e menos lesiva ao paciente, na relação dele com o Ventilador Mecânico e da mesma maneira é da responsabilidade do Fisioterapeuta devolver a função de respirar ao paciente, uma ato comumente conhecido como “desmame da ventilação mecânica”.

Os pacientes internados numa UTI, tem como grande inimigo a perda de força muscular, em geral decorrente do desuso da musculatura, somados ao uso de sedativos ou bloqueadores neuro musculares, alem de um arsenal de outros medicamentos necessários porem lesivos e indutores da Polineuropatia, razão pela qual o Fisioterapeuta passa a assumir a responsabilidade de evitar ou minimizar o impacto destes fatores agressivos a função musculoesquelitica, de forma a devolver o indivíduo em melhores condições a sociedade, reduzindo a reinternação e permitindo uma re-socializaçao e reintegração funcional.

Nos pacientes portadores de COVID 19, o papel do fisioterapeuta em grau de importância e necessidade, em nada se difere dos demais pacientes habituais das UTIs, exceto pelo fato destes pacientes apresentarem insuficiência respiratória de forma mais célere e aguda, além do excesso de contingência denotado ao longo da existência da COVID19, razão pela qual o Fisioterapeuta passa a ser necessário e indispensável, não somente nas 18 horas estabelecidas na RDC da ANISA 07/2.010 e sim também nas 24 horas, nos 7 dias da semana.

Finalmente vale dizer que a Fisioterapia se estabeleceu e demonstrou seu grau de importância durante a Epidemia de Poliomielite em 1.956, que teve seu epicentro na cidade de Estocolmo na Suécia e na America do Sul em Buenos Aires, foi nesta oportunidade que o Fisioterapeuta Prof. Dr. Alfredo Cuello desenvolveu e mostrou ao mundo a importância da Fisioterapia.

No Brasil a primeira UTI nasce em 1.971 no Hospital Sírio Libanês em São Paulo, a Sociedade Brasileira de Fisioterapia Respiratória (SOBRAFIR, hoje ASSOBRAFIR) surge em 1.986 e a primeira Pos Graduação em Fisioterapia nesta área no Brasil foi em 1.989 sob a Coordenação do Prof. Dr. Alfredo Cuello e minha, na Universidade Tuiuti do Paraná.

Assim esta especialidade como modalidade de Pós Graduação acaba de completar 30 anos, temos muito a crescer, temos muito a aprender, mas temos muito a ensinar.

Uma honra e um privilégio fazer parte desta história.

 

Por Dr.Esperidião Elias Aquim
Fisioterapeuta, presidente da Prófisio Faculdade Inspirar, é doutor em Medicina Física.
Junto com o prof. Dr.Alfredo Cuello coordenou a primeira Pós-graduação em Fisioterapia Respiratória no Brasil, em 1989, em Curitiba.

Avaliação do paciente com Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é progressiva e neurodegenerativa, incapacitando o indivíduo em grande parte das AVD’s e também em suas funções cognitivas, conforme a doença vai avançando. Os sintomas motores envolvem tremor, bradicinesia, rigidez e instabilidade postural¹. Dentro das incapacidades adquiridas, existem avaliações específicas para mensurar o grau de comprometimento de cada paciente.

O tremor e a bradicinesia geralmente são causados por diminuição da função dos neurônios dopaminérgicos e geram dificuldades na execução de diversas atividades, como alimentação e auto-cuidados. Sua influência nas atividades pode ser avaliada por meio da escala UPDRS (Unified Parkinson’s Disease Rating Scale)²

A bradicinesia é o principal sintoma da DP e geralmente é acompanhada pela diminuição de força muscular, o que aumenta as chances de queda. Quando associada à instabilidade postural, dificulta a pessoa com DP a deambular sem supervisão ou sem meio auxiliar de deambulação.
Alguns testes já validados para DP são utilizados para avaliar a mobilidade funcional, como TUG (Time Up and Go)³ e o equilíbrio estático e dinâmico, como mini BESTest (Balance Evaluation Systems Test)4. O TUG ainda pode ser associado à dupla tarefa cognitiva ou motora, o que confere maior relevância clínica para um teste relativamente fácil de ser executado. Caso seja percebido a necessidade de avaliação específica das capacidades cognitivas, o MoCA (Montreal Cognitive Assessment) poderá ser utilizado5.

A diminuição de força também aumenta os riscos de doenças respiratórias pela fraqueza do músculo diafragma e dos intercostais, e a espirometria entra em cena para avaliar a pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx) que tem valores de referências padrão para homens e mulheres hígidos e variando com a idade6. Essas pressões avaliadas irão demonstrar o nível de capacidade de força dos músculos inspiratórios e expiratórios, respectivamente, permitindo ao profissional identificar o nível de intervenção terapêutica para cada paciente.
Por fim, uma opção para avaliação de qualidade de vida e vida comunitária é o PDQ-39 (Parkinson’s Disease Questionnaire-39)7, lembrando sempre que a funcionalidade é proporcional a qualidade de vida.

É importante ter em mente que independentemente da predominância do sintoma, a avaliação sempre guiará a intervenção. Com relação ao tratamento, além da parte medicamentosa, estudos vigentes buscam utilizar atividades físicas para aumentar as opções terapêuticas e, neste sentido, a Fisioterapia se torna fundamental.

 

Por Francielle Costa Valle
Pós graduada em Terapia Intensiva – Faculdade Inspirar;
Pós graduanda em Fisioterapia Neurofuncional – Faculdade Inspirar;
Fisioterapeuta na empresa Prófisio.

Referências

1. Postuma, et al. MDS Clinical Diagnostic Criteria for Parkinson’s Disease. MovementDisorders, Vol. 30, No. 12, 2015
2. Goetz, et al. Movement Disorder Society-sponsored revision of the Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (MDS –UPDRS): Scale presentation and Clinimetric Testing Results. Mov Disord. 2008 Nov 15;23(15):2129-70.
3. Brusse, et al. Testing Functional Performance in People with Parkinson Disease. Phys Ther. 2005 Feb;85(2):134-41.
4. Leddy, et al. Utility of the Mini-BEST Test, BEST-test and BEST-test Sections for Balance Assessments in Individuals With Parkinson Disease. J Neurol Phys Ther. 2011 Jun;35(2):90-7.
5. Sobreira, Emmanuelle. et al. Rastreio de comprometimento cognitivo em pacientes com doença de Parkinson: validade diagnóstica das versões brasileiras da Montreal Cognitive Assessment e do Addenbrooke’s Cognitive Examination-Revised. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2015, vol.73, n.11, pp.929-933.
6. Pereira, et al. New reference values for forced spirometry in white adults in Brazil. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2006.
7. Fitzpatrick, et al. Distribution- based Criteria for Chance in Health-Related Quality of Life in Parkinson’s Disease. J Clin Epidemiol. 2004 Jan; 57 (1) 40-4.

Esclerose Lateral Amiotrófica e a Fisioterapia

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa de caráter progressivo do sistema nervoso central, tendo sua ação nos motoneuronios superiores e inferiores e evolui causando atrofia progressiva da musculatura respiratória e dos membros, podendo estar ou não associada de sintomas de origem bulbar como disartria e disfagia. Apesar de os portadores dessa doença terem uma sobrevida media de 2 a 5 anos, já se tem relatos de grupos de pacientes com mais de 1 década de evolução.

O tratamento desses pacientes tem por finalidade contribuir na melhora da qualidade de vida, para isto, exigi-se uma atenção multidisciplinar eficaz, onde a fisioterapia esta impreterivelmente inserida e se manterá presente e atuante durante todo o processo de evolução da doença, tendo sua conduta principalmente baseada no quadro clinico atual do paciente e na prevenção ou tardeamento de complicações futuras.

O tratamento fisioterapêutico dos portadores de ELA visa a manutenção da amplitude de movimento, manutenção do tônus muscular ainda existente objetivando a prevenção de complicações decorrentes do desuso e da lesão propriamente dita, evitando ainda possíveis quadros álgicos e edemas. A prevenção de complicações respiratórias deve estar associada ao programa de tratamento estabelecido para o paciente, tendo em vista a prevenção de áreas de atelectasias, de hipoventilação e hipóxia, para tanto os exercícios respiratórios reexpansivos devem estar associados a terapia.

A utilização de recursos auxiliares tais como órteses, tornozeleiras, antiequino, andadores, talas, podem se fazer necessários conforme a progressão da doença como plano para otimizar a realização das atividades de vida diária. A ventilação mecânica não invasiva e por conseguinte invasiva também tornar-se-á necessária nas fases mais críticas da doença.

Por fim, enfrentar um prognóstico de morte acarreta ao paciente um turbilhão de emoções e sentimentos que pode ocasionar dentre outras complicações a depressão, que por sua vez poderá acelerar o processo de evolução da doença. Portanto o apoio familiar e de toda equipe multiprofissional se faz necessário para uma melhor adesão ao tratamento e consequentemente o adiamento dos sintomas.

 

Por Francielen Stedile
Graduação em Fisioterapia Hospitalar
Pós graduada em Fisioterapia Neurofuncional e Dermato funcional.
Fisioterapeuta sócia na empresa PROINC.

Bruna Marques da Silva
Pós graduada em Fisioterapia Cardiorrespiratória e graduanda em Fisioterapia Neurofuncional
Fisioterapeuta na empresa PROINC.

Mariane Dorea
Pós graduada em Terapia Intensiva
Fisioterapeuta na empresa PROINC

 

Referência:

https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8505

Revista Neurociências V14 N2 (supl-versão eletrônica)

Indicadores da Qualidade

Indicadores da Qualidade

Como outras profissões da saúde, a fisioterapia deve passar do atendimento baseado em quantidade ou modelo de taxa por serviço para o atendimento baseado em qualidade.

Para auxiliar nesta transição os indicadores de qualidade (IQs) podem ser utilizados como ferramentas que especificam o padrão mínimo aceitável de prática clínica. Eles são usados para medir processos de cuidados em saúde, estruturas organizacionais e resultados relacionados a aspectos de atendimento de alta qualidade aos pacientes.

Devem ser utilizados para orientar a tomada de decisões clínicas, implementar recomendações, avaliar e relatar a eficácia do tratamento às principais partes interessadas, incluindo gestores e pacientes.

São primordiais para os gestores, pois permitem a avaliação e o monitoramento de lacunas relacionadas às estruturas (por exemplo, número de profissionais, disponibilidade de equipamento), processos (por exemplo, adesão às melhores práticas de reabilitação, entrega serviços) ou resultados (por exemplo, status funcional, qualidade de vida, mortalidade) do atendimento além de ser considerado um produto terciário do conhecimento. que ajuda a mobilizar outros produtos, isto é, diretrizes e recomendações para a prática e avaliação do impacto de sua implementação.

O envolvimento do fisioterapeuta no desenvolvimento dos IQs específicos da reabilitação é imprescindível. Para que os fisioterapeutas participem, eles devem ter um entendimento do processo.

As principais etapas no desenvolvimento e implementação dos IQs serão definindo o público-alvo; determinação da área clínica a avaliar; identificar IQs existentes ou, na sua ausência, desenvolver e avaliar os IQs existentes ou novos; coletando e relatando dados.

Para que os fisioterapeutas participem dos esforços para aplicação dos IQs específicos da reabilitação e da equipe, eles devem entender o valor e o papel destes na prestação de cuidados de saúde e estar familiarizados com os métodos usados para desenvolver ou identificar, coletar, relatar e implementar estes IQs.

Os fisioterapeutas devem ser incentivados a contribuir para a identificação e implementação dos IQs em seus ambientes clínicos ou organizações de assistência à saúde para garantir que as medidas selecionadas sejam relevantes, viáveis, clinicamente significativas e sob seu controle.

Algumas barreiras ainda são identificadas para implementação dos IQs , no aspecto de atendimento incluem restrições de tempo, acesso limitado aos IQs apropriados, falta de conhecimento e ferramentas para a aplicação de medidas, suporte limitado à gerência e falta de valor e importância aos resultados.

É preciso mensurar, avaliar e gerar valor, mas não podemos esquecer que o paciente é um ser humano, que quando adoecido está debilitado e sofrendo. Eles são a razão da existência das organizações de saúde, sendo imprescindível que ele seja acolhido, compreendido e tratado.

Por Maíra Maturana
Doutoranda em Ciências da Reabilitação pela Unisuam
Mestre em fisiologia
Docente na Faculdade Inspirar
Fisioterapeuta/Sócia Diretora da Profisio – unidade INC
Sócia Diretora da Faculdade Inspirar Campinas

Leia mais em : https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4706598/
Marie D. Westby, Alexandria Klemm, Linda C. Li, C. Allyson Jones. Emerging Role of Quality Indicators in Physical Therapist Practice and Health Service Delivery. Phys Ther. 2016 Jan; 96(1): 90–100.

Poltrona PVC

Durante muito tempo o repouso absoluto no leito foi preconizado como imprescindível no tratamento de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No entanto, nas últimas décadas, constatou-se que a imobilidade no leito é um fator que leva ao retardo da recuperação desses pacientes.

Quanto mais tempo imóvel no leito, maiores as complicações que o paciente pode apresentar, tais como: perda da força muscular e consequentemente perda da sua funcionalidade, déficit da mecânica respiratória, complicações hemodinâmicas, cardíacas e neurológicas, úlceras de pressão, atraso na recuperação das doenças críticas, aumento do tempo de internação e redução da qualidade de vida do paciente pós alta.

A fisioterapia atua promovendo a recuperação e preservação da funcionalidade, exercendo papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento destas complicações.

A mobilização precoce (MP) surge como intervenção fisioterapêutica de prática cada vez mais comum nas UTIs, a qual se refere a execução do exercício físico ou a mobilização do paciente dentro da fase inicial da doença, tendo seu início logo após a estabilização do paciente sempre respeitando as individualidades e as condições clínicas de cada indivíduo

A transferência do paciente para a cadeira é adotada como rotina por muitas equipes de saúde. Mesmo que feita de maneira passiva e com o paciente ainda em ventilação mecânica, a posição sentada pode trazer uma série de benefícios, como: uma maior estimulação sensório-motora, melhora da consciência corporal, melhora do estímulo respiratório e da mecânica ventilatória, aumento dos volumes e capacidades pulmonares, da ventilação alveolar e da eficiência da tosse, desde que o paciente não apresente contraindicações.

Quando não existem poltronas suficientes disponíveis ou até mesmo diante da impossibilidade de transferência do paciente para poltrona,  devemos encontrar soluções para que os benefícios da posição sentada sejam alcançados.

 

Com muita criatividade e dedicação nosso fisioterapeuta Dr. Cairo Sackl Poffo aprimorou a ideia de uma “poltrona” feita em PVC que se adapta a cama do paciente, muito prático e de baixo custo esse artefato permite que pacientes com pouco ou nenhum controle de tronco permaneçam sentados na beira do leito e até mesmo realizem exercícios com maior segurança na posição sentada.

 

Por Cairo Sackl Poffo
Fisioterapeuta pela Universidade Regional de Blumenau – FURB – SC
Pós-graduando em Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar – SC
Fisioterapeuta Coordenador do Serviço de Fisioterapia Prófisio Litoral – Hospital do Coração de Balneário Camboriú

REFERÊNCIAS:

BAILEY, P. P.; ILL, R. R. M.; CLEMMER, T. P. Culture of early mobility in mechanically ventilated patients. Critical Care Medicine, v. 37, n. 10, p. 429-435, 2009.

CHOI, J.; TASOTA, F. J.; HOFFMAN, L. A. Mobility Interventions to Improve Outcomes in Patients. Biological Research For Nursin, v. I, n. 10, p. 21-33, 2008.

COSTA, F. M. D. et al. Avaliação da Funcionalidade Motora em Pacientes com Tempo Prolongado de Internação. UNOPAR Científica Ciências Biológicas e da Saúde, Cuiabá, 2014. 87-91.

DESAI, S. V.; LAW, T. J.; NEEDHAM, D. M. N. Long-term complications of critical care. Critical Medicine Care, v. 39, n. 2, p. 371-379, 2011

FRANÇA, E. É. T. et al. Fisioterapia em pacientes críticos adultos: recomendações do Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 24, p. 6-22, 2012.

HICKMANN, C. E. et al. Teamwork enables high level of early mobilization in critically ill patients. Annals of Intensive Care, v. VI, n. 80, 2016. KRAMER, C. L. Intensive Care Unit: Acquired Weakness. Neurologia Clínica , n. 35, p. 723- 736, 2017.

MUSSALEM, M. A. M. et al. Influência da mobilização precoce na força muscular periférica em pacientes na Unidade Coronariana. ASSOBRAFIR Ciência, Pernanbuco, 5 Abril 2014. 77- 88.

PRESTO, B. L. V.; DAMÁZIO, L. Fisioterapia Respiratória. 4a. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

SILVA, A. P. P. D.; MAYNARD, K.; CRUZ, M. R. D. Efeitos da fisioterapia motora em pacientes críticos: revisão de literatura. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, Rio de Janeiro -RJ, n. 22, p. 85-91, 2010.

Atuação da fisioterapia na artroplastia de quadril

As funções do quadril são de extrema importância para a independência de um indivíduo, pois sustenta o peso corporal e gera grande amplitude de movimento para a locomoção e realização de atividades.

O quadril é uma articulação diartrose do tipo esferoidal multiaxial e possui estabilidade máxima pelo encaixe da cabeça do fêmur com o acetábulo. Além disso, absorve grandes cargas e impacto no decorrer da vida.

Com o envelhecimento, o quadril pode sofrer diversas afecções e comprometer funcionalmente essa articulação. Uma delas é a osteoartrose (OA), a qual se caracteriza-se como uma doença de etiologia multifatorial, sendo uma injúria dolorosa das articulações proveniente da deficiência da cartilagem associada à sobrecarga mecânica, alterações bioquímicas da membrana sinovial ou de fatores genéticos.

A OA de quadril atinge 20% das pessoas com idade acima de 55 anos e, apesar de ser menos comum do que a OA de joelho, sua sintomatologia é frequentemente mais grave, pois leva a consequências que excedem a degeneração da cartilagem, estando diretamente relacionada com dor, rigidez articular e disfunção muscular.

O tratamento da osteoartrose tem como objetivo principal combater a sintomatologia, aliviar a dor, restabelecer a melhora funcional, mecânica e clínica dos pacientes acometidos, optando-se inicialmente pelo tratamento conservador através de medicamentos e fisioterapia. Em casos de falha no tratamento conservador é indicado tratamento cirúrgico através da artroplastia.

A artroplastia de quadril consiste na reconstrução da articulação do quadril através da colocação de uma prótese total ou parcial devido à degeneração ou desgaste dessa articulação. É um método cirúrgico que visa restaurar a funcionalidade da articulação acometida, visando a melhora da dor e o retorno às funções.

As próteses podem ser feitas de diversos materiais como metal, cerâmica, titânio e polietileno, podendo a artroplastia ser total, quando ocorre a substituição do componente acetabular e femoral ou parcial, quando apenas o componente femoral é substituído.

Tipos de Prótese:

  • Cimentada – em que se usa cimento ósseo para fixar o componente acetabular na pelve e o componente femoral no fêmur.
  • Não-cimentada – a fixação de seus dois componentes (acetabular e femoral) ocorre diretamente nas superfícies ósseas.
  • Híbrida – o componente acetabular é fixado na pelve através de parafusos e o componente femoral é fixado com cimento ao fêmur.
  • Endopróteses – consiste na substituição de grandes segmentos ósseos.

 

As cirurgias na articulação do quadril estão entre as principais executadas na ortopedia e muitas formas de acessos foram descritas para a realização da artroplastia de quadril, sendo os mais comuns: acesso ântero-lateral, acesso lateral e acesso póstero-lateral.

O tipo de prótese, material, bem como a via de acesso escolhida são avaliados pelo cirurgião de quadril, que vai optar levando em consideração as particularidades de cada paciente.

A fisioterapia é um procedimento fundamental na reabilitação de pacientes pós artroplastia de quadril e deve ser iniciada precocemente após a cirurgia. A atuação inicial, na fase hospitalar, consiste em retirar o paciente do leito o mais breve possível, orientar quanto aos cuidados no pós-operatório, restabelecer amplitude de movimentos e força muscular, reduzir co-morbidades, prevenir complicações motoras e respiratórias, recuperar o equilíbrio e a marcha, facilitar a retomada de confiança e segurança do paciente e reduzir o tempo de internação.

As atividades incluem exercícios respiratórios; promoção de integração sensório-motora e cognitiva; mobilização dos membros inferiores (MMII); isometrias de quadríceps e glúteos; profilaxia circulatória; posicionamento dos MMII em abdução e treino de marcha com andador.

O fisioterapeuta deve enfatizar ao paciente os cuidados com movimentos que podem facilitar o mecanismo de luxação de prótese e portanto devem ser evitados, como a rotação interna do quadril, adução além da linha média,  e flexão do quadril acima de 90º.

Algumas complicações podem ocorrer após a cirurgia de artroplastia de quadril. Elas podem ser de origem ósteo-articular (fratura do fêmur, luxação da prótese), neurológica (neuropraxia, axoniotmese, neurotmese), circulatória (tromboembolismo venoso) ou secundárias a infecções.

Realizar um bom tratamento fisioterapêutico no pós-operatório é fundamental para a recuperação total do indivíduo, proporcionando sua independência, retorno às atividades e melhora da qualidade de vida.

 

Por Maria Eduarda N A Cocchieri

Fisioterapeuta pela Universidade de Vila Velha – ES
Especialista em Fisioterapia Hospitalar pela Faculdade Inspirar – PR
Fisioterapeuta Coordenadora do Serviço de Fisioterapia Prófisio – Unidade de Internamento do Hospital Marcelino Champagnat
Prática clínica em pós-operatório das artroplastias de quadril e de joelho
Docente Faculdade Inspirar

Referências

  • APRILE, I., et al. Group rehabilitation versus individual rehabilitation following knee and hip replacement: a pilot study with randomized, single-blind, cross-over design. European Journal of Physical and Rehabilitation Medicine. v.47, n.4, p.551-559, 2011.
  • COIMBRA, I.B. et al. Osteoartrite (Artrose): Tratamento. Revista Brasileira de Reumatologia. v. 44, n.6, p. 450-453, 2004.
  • DUARTE, V. et al. Exercícios físicos e osteoartrose: uma revisão sistemática. Fisioterapia em Movimento. v. 26, n. 1, p.193-202, 2013.
  • FIORENTIN, P. et al. Evidências científicas do tratamento fisioterapêutico no pós-operatório de artroplastia de quadril. Biomotriz, v.10, n. 01, p. 104 – 118, Jul./2016.
  • RISSI e COIMBRA. Exercício Físico como Tratamento na Osteoartrite de Quadril: uma Revisão de Ensaios Clínicos Aleatórios Controlados. Rev Bras Reumatol, v. 46, n.4, p. 273-280, jul/ago, 2006

Espirometria

A espirometria ou também conhecida prova de função pulmonar é um exame que permite avaliar a função respiratória através da quantificação dos volumes respiratórios, fluxo e tempo, isto é possível através da mensuração do ar que entra e sai dos pulmões.

É um teste rápido, indolor, capaz de indicar “doenças pulmonares silenciosas” sendo indicado de forma preventiva na medicina ocupacional em exames admissionais e periódicos, possibilitando diagnósticos precoces em pacientes assintomáticos, como por exemplo um distúrbio ventilatório restritivo em pacientes obesos ou distúrbio ventilatório obstrutivo em pacientes fumantes que não apresentam nenhum sintoma inicial, essencial no acompanhamento dos pacientes asmáticos, DPOC, pré e pós operatórios em geral.

Além dos diagnósticos clínicos utilizados pelo médico, como já citados, a espirometria é uma ferramenta utilizada pelo fisioterapeuta no diagnostico cinesiofuncional, possibilitando estratégias e objetivos de reabilitação a curto, médio e longo prazo, também utilizada como biofeedback visual durante a sessão de treinamento funcional respiratório, possibilitando aos pacientes um melhor aprendizado e evoluções diárias das técnicas utilizadas.

A excelência do teste demanda uma boa técnica de comunicação do profissional e da colaboração do paciente, apesar de ser um exame simples que consiste basicamente em puxar e soltar o ar de forma rápida e continua por um bocal conectado em uma aparelho, a literatura nos mostra que em média 70% dos técnicos no Brasil realizam de forma errada, isso pode estar correlacionado ao fato de muitos dos técnicos receberem o treinamento rápido e sem acompanhamento dos próprios profissionais que solicitam.

Este impacto poderia ser diminuído se fosse realizado por fisioterapeutas uma vez que os mesmos detêm conhecimentos de técnicas que podem facilitar a compreensão do sopro forçado e continuo dento dos padrões anatômicos e fisiológicos da função pulmonar.

É importante salientar que a manobra leva o paciente aos dois extremos, uma inspiração máxima total  ( VC = volume corrente +  VRI = volume de reserva inspiratória ) seguida de uma expiração máxima forçada (VRE = volume de reserva expiratória), a falha no comando em qualquer uma das duas fases podem resultar em valores abaixo da normalidade e induzir a um falso teste.

Ao observar o gráfico abaixo e analisar o quanto representa percentualmente cada fase do ciclo respiratório, aceitar que o paciente ou o técnico realizem de forma errônea uma delas, é a certeza de um resultado errado.

INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO

Os valores da espirometria variam de acordo com peso, idade, altura, sexo, biotipo da pessoa, por esse motivo os dados antropométricos devem ser sempre checados no momento do exame.

A espirometria simples ou ocupacional é realizada sem uso de agentes broncodilatadores, já as provas de funções pulmonares levam a aplicação dos broncodilatadores.

O laudo de diagnósticos clínicos devem sempre ser interpretados pelo médico, já os diagnósticos cinesiofuncinais pelo fisioterapeuta. A interpretação deve levar em consideração tantos os valores de cada parâmetro em percentual e as curvas fluxo-volume e volume-tempo, também é importante classificar a gravidade que pode ir de leve a gravíssima.

  • Volume Expiratório Forçado (VEF1): representa a quantidade de ar expirado no primeiro segundo, e por isso, quando está abaixo dos valores de normalidade pode indicar presença de distúrbios obstrutivos.
  • Capacidade vital forçada (CVF): representa a quantidade total de ar que se consegue expirar, quando está abaixo dos valores de normalidade pode sugerir a presença de doenças pulmonares que dificultam a expansão do pulmão, com possíveis distúrbios restritivos.

 

Abaixo um exemplo da curva de Distúrbio Obstrutivo.

 

A seguir um exemplo da curva de um laudo normal.

 

 

Por Flávia Makoski Ciescilivski

Fisioterapeuta Especialista em Terapia Intensiva e Fisioterapia Uroginecologia, Proctologia e Disfunções Sexuais
Gestora Administrativa da Franquia Prófisio no Hospital Marcelino Champagnat – Curitiba – Fisioterapeuta atuante junto a equipe do Check-up (Avaliação Funcional Fisioterapêutica e Testes de Função Pulmonar).
Professora e Coordenadora adjunta da Faculdade Inspirar do Curso de Pós Graduação de Fisioterapia Pélvica – Anápolis / Goiás
Mestranda pela UFPR/Faculdade Inspirar – Clínica Cirúrgica

 

REFERÊNCIAS

  • Costa, D. e Jarnarni, M. BASES FUNDAMENTAIS DA ESPIROMETRIA. Rev. bras. fisioter. Vol. 5 No. 2 (2001), 95-102.

Escalas de avaliação da qualidade de sono em pacientes críticos – uma ferramenta para a melhoria no cuidado

O sono é um processo essencial para o descanso, reparação, bem estar, preservação da homeostase e equilíbrio de diferentes sistemas corporais.

Consistindo em um processo ativo que envolve múltiplos e complexos mecanismos fisiológicos e comportamentais do sistema nervoso central (SNC).

É regulado por mecanismos cicardianos, ou seja, um ciclo de 24 horas sobre o qual se baseia o “relógio biológico” de quase todos os seres vivos.

Este ciclo tende a ser sincronizado com as 24 horas do dia por estímulos, predominantemente, pela exposição a luminosidade.

O sono do paciente crítico é um assunto de crescente interesse, e diversos estudos apontam que o sono na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é caracterizado pela sua baixa qualidade, contribuindo para a morbidade destes pacientes.

Dentre as causas de privação de sono na UTI estão fatores intrínsecos aos pacientes e a condição de sua doença, bem como fatores relacionados ao ambiente da UTI e ao tratamento em curso, como o suporte ventilatório, a terapia medicamentosa, os cuidados da equipe de multidisciplinar, os ruídos de monitores e a luminosidade do ambiente.

 

 

A polisonografia (PSG), exame padrão ouro para avaliar alterações do sono, demonstrou que estes distúrbios são caracterizados por fragmentação do sono, com despertar frequente.

A arquitetura do sono sofre maior alteração nos períodos iniciais do sono gerando também na redução na porcentagem de sono profundo e reparador.

Por outro lado, a aplicação de questionários para avaliar subjetivamente o sono de pacientes internados em UTI vem ganhando destaques na literatura, de fácil aplicação às escalas podem ser utilizadas por qualquer profissional da saúde.

O Richards – Campbell Questionnaire (RCSQ) que avalia o sono a partir de 5 dimensões: profundidade, latência, fragmentação, tempo para retomada e qualidade do sono.

As respostas são registradas em uma escala analógica visual de 100mm, onde resultados mais altos representam um sono de maior qualidade.

Já o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI) avalia a qualidade do sono através de 19 questões de auto-relato graduados com score de 0 (nenhuma dificuldade) a três (dificuldade grave).

A Sleep in the Intensive Care Unit Questionnaire, com 27 itens, avalia o sono em 4 dimensões: qualidade; fatores disruptivos causados pela equipe de cuidados; fatores disruptivos de origem ambiental e sonolência diurna.

A possibilidade de pontuar individualmente o papel de uma série de perturbações do sono decorrentes do ambiente de UTI torna estes questionários uma ferramenta que auxilia os profissionais da saúde a identificar, corrigir e avaliar a eficácia das intervenções, promovendo melhorias na qualidade de sono do paciente crítico e atuando diretamente em sua recuperação.

 

Por Luana Caroline Kmita
Graduada em Fisioterapia pela Uniguaçu
Pós graduada em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar
Mestre em Fisiologia Humana pela UFPR – laboratório de neurofisiologia, ênfase em distúrbios de sono na doença de Parkinson.
Fisioterapeuta Intensivista Prófisio – Hospital Vita Batel.

 

Referências

  • Beltrami FG et al. Sono na Unidade de Terapia Intensiva. J Bras Pneumol. 2015;41(6):539-546.
  • Bourne RS et al. Clinical review: Sleep measurement in critical care patients: research and clinical implications. Critical Care200711:226
  • Hamze FL; Souza CC; ChiancaTCM. Influência das intervenções assistenciais na continuidade do sono de pacientes em unidade de terapia intensivaRev. Latino-Am. Enfermagem set.-out. 2015;23(5):789-96
  • Orwelius L et al. Prevalence of sleep disturbances and long-term reduced health-related quality of life after critical care: a prospective multicenter cohort study. Critical Care200812:R97
  • Togeiro SMGP; Smith AK. Diagnostics methods for sleep disorders. Rev Bras Psiquiatr. 2005;27(Supl I):8-15
  • Araujo, PAB et al. Índice da qualidade de sono de Pittsburgh para uso na reabilitação cardiopulmonar e metabólica. Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 6 – Nov/Dez, 2015

Fisioterapia na prevenção do tromboembolismo venoso

O Tromboembolismo Venoso (TEV), consiste na formação de um coágulo sanguíneo (trombo), geralmente originado nos membros inferiores.

Pode ser apresentado em duas formas mais frequentes:

  • a trombose venosa profunda (TVP) – quando o coágulo formado obstrui a passagem sanguínea em veias dos membros inferiores;
  • o tromboembolismo pulmonar (TEP), quando o coágulo sanguíneo se desloca e obstrui algum ponto do leito vascular pulmonar, geralmente acarretando insuficiência respiratória aguda.

Uma terceira forma e menos frequente de apresentação é a trombose venosa superficial.

A tríade de Virchow considera como fatores de desenvolvimento de tromboses os seguintes aspectos: estase sanguínea, lesão endotelial e a hipercoagulabilidade sanguínea.

Para a prevenção dessa afecção é necessário atuar diretamente combatendo esses três fatores.

A fisioterapia atua diretamente na prevenção e/ou minimização de estase sanguínea, além de participar ativamente no processo educacional destinado aos pacientes e familiares envolvidos no tratamento.

A TEV é a primeira causa de morte evitável em pacientes no ambiente hospitalar.

Todos os pacientes internados, sejam esses, clínicos ou cirúrgicos devem ser avaliados quanto a presença ou não de fatores de risco para o desenvolvimento do tromboembolismo.

Perante pacientes cirúrgicos, deve-se verificar o risco específico da cirurgia e o tipo de anestesia.

Pacientes submetidos à neurocirurgia e cirurgias cardíacas exigem medidas de prevenção diferenciadas, pelo risco de sangramento durante as mesmas.

Ao se tratar de saúde materna, existe um alto índice de tromboembolismo venoso durante a gestação, parto e puerpério, principalmente quando são submetidas a via de parto cesárea.

E em especial no Brasil, onde acontece o maior número de cesáreas no mundo. Sendo a embolia pulmonar associada a gravidez, a maior causa de morbidade e mortalidade em gestantes. 3 a cada 1000 gestações são verificados casos de TVP ou TEP.

A prevenção eficaz para eventos de tromboembolismo venoso consiste em uma avaliação multiprofissional efetiva e competente.

A avaliação consiste na estratificação de fatores de risco para o desenvolvimento da afecção sanguínea estudada. Esta deve acontecer até 24 horas após o horário da internação –  e o paciente deve ser reavaliado diariamente.

Em pacientes cirúrgicos, quando possível, deve ser realizada uma pré-avaliação, que será encaminhada junto ao paciente para o centro cirúrgico, anexada ao planejamento da cirurgia.

Chama atenção a incidência de pacientes oncológicos apresentarem maior incidência de eventos tromboembolíticos. Estudos apontam que 1 a cada 5 pacientes com câncer desenvolvem TEV.

É a segunda causa de morte mais comum entre esses pacientes, eles poderiam sobreviver mais tempo se não fosse a TEV. A correlação entre câncer e tromboembolia leva em consideração o local da tumoração, o estadiamento da doença, dentre outros.

É comum de a TEV ser a primeira manifestação de doença neoplásica. Sendo denominada Síndrome de Trousseau – o tromboembolismo espontâneo associado a uma neoplasia silenciosa.

Estudos apontam que o câncer aumenta em quatro vezes a chance de o paciente desenvolver TEV; a quimioterapia aumenta esse risco para seis vezes. Mesmo quando estão com dosagem de anticoagulação completa.

Pacientes oncológicos que desenvolvem TEV tem um risco de 94% de evoluir a óbito até os 06 meses depois do episódio. Células neoplásicas podem ativar mecanismo de coagulação por diferentes meios.

Durante a estratificação dos pacientes quanto ao risco de desenvolverem TEV, esses são classificados em baixo, intermediário e alto risco – e diversos fatores são abordados.

A estratificação de risco pode ser realizada através de escalas ou escores. Os mais utilizados para a TEV são o Escore de Caprini (pacientes cirúrgicos) e Escore de Pádua (pacientes clínicos).

 

 

 

O profissional fisioterapeuta atua de forma contínua, estabelece protocolos e metas assistenciais, realiza avaliação funcional periódica dos pacientes, estimula mobilização precoce, movimentos passivos, realiza atividades diárias de reabilitação, orientações de posicionamento dos membros, profilaxia circulatória, estabelece frequência e distância de caminhadas, supervisiona e elabora diário de caminhada.

Vale salientar que o fisioterapeuta busca todas as medidas necessárias para a profilaxia da perda da funcionalidade e/ou estimulação da mesma, sempre visando a melhora da qualidade do internamento e da qualidade de vida.

 

Por Rosilene de Santana Sanches

Fisioterapeuta pela Universidade Tiradentes. Pós-graduação em cardiorrespiratória pela Faculdade Inspirar. Formação em Pilates pela Physioserv. Experiência em docência e coordenação em curso de Fisioterapia. Atualmente Fisioterapeuta no Hospital Marcelino Champagnat.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Mechanisms of venous thromboembolism in cancer: a literature review Mecanismos do tromboembolismo venoso no câncer: uma revisão da literatura. Marcos José Pereira Renni1 , Mônica Hermida Cerqueira2 , Ingrid de Araújo Trugilho1 , Mario Lúcio Cordeiro Araujo Junior1 , Marcos Arêas Marques3 , Hilton Augusto Koch4  J Vasc Bras. 2017 Out ut.-Dez.; 16(4):308-313
  • Estudo TRomboEmbolismo Venoso pós-Operatório (TREVO) — risco e mortalidade por especialidade cirúrgica. Cristina Amaral a,∗, Luís Guimarães Pereiraa, Ana Moretoa, Ana Carolina Sáa, Ana Azevedo. 2017 Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Publicado por Elsevier Espana, ˜ S.L.U. Todos os direitos reservados.
  • Venous Thromboembolism and Route of Delivery – Review of the Literature, Matheus Schimidt Evangelista1 Karina Slompo1 Jorge Rufino Ribas Timi2, Rev Bras Ginecol Obstet, December 12, 2017
  • Incidencia y factores de riesgo de enfermedad tromboembólica venosa en cirugía mayor espinal, sin profilaxis química o mecánica
  • Rojas-Tomba ∗, I. Gormaz-Talavera, I.E. Menéndez-Quintanilla, J. Moriel-Durán, D. García de Quevedo-Puerta y F. Villanueva-Pareja. Servicio de Cirugía Ortopédica y Traumatología, Hospital Regional Universitario de Málaga, Málaga, Espana˜ Recibido el 24 de junio de 2015; aceptado el 19 de octubre de 2015 Disponible en Internet el 13 de enero de 2016
  • Do we know how to prescribe venous thromboembolism prophylaxis to hospitalized patients? Sabemos prescrever profilaxia de tromboembolismo venoso nos pacientes internados? Bruno Abdala Candido Lopes1 *, Isabela Pizzatto Teixeira1 , Taynara Dantas de Souza1 , Jean Rodrigo Tafarel1,  J Vasc Bras. 2017 Jul-Set;16(3):199-204
  • Quali prospettive nel trattamento del tromboembolismo venoso dopo i risultati dello studio Hokusai-VTE Cancer?Iris Parrini1, Irma Bisceglia2 1Cardiologia, Ospedale Mauriziano, Torino 2Percorsi Cardiologici Integrati, A.O. San Camillo-Forlanini, Roma, G Ital Cardiol 2018;19(6):333-338
  • PROTOCOLO TEV: Tromboembolismo Venoso Documentação Operacional HSL-PROT-CORP-006/REV.09. Protocolo do Hospital Sírio Libanês. Versão online disponível em : https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/institucional/gestao-da-qualidade/Documents/2018-11-01-protocolos/Protocolo%20TEV/Protocolo%20TEV_VF.pdf
  • Incidência de trombose venosa profunda e estratificação dos grupos de risco em serviço de cirurgia vascular de hospital universitário Incidence of deep venous thrombosis and stratification of risk groups in a university hospital vascular surgery unit. Alberto Okuhara1 *, Túlio Pinho Navarro1 , Ricardo Jayme Procópio1 , José Oyama Moura de Leite2 J Vasc Bras. 2015 Abr.-Jun.; 14(2):139-144
  • Avaliação da profilaxia da trombose venosa profunda em um hospital geral Evaluation of deep vein thrombosis prophylaxis in a general hospital. Fátima Cristiane Lopes Goularte Farhat1 , Hellen Caroliny Torres Gregório2 , Rafaela Durrer Parolina de Carvalho3/J Vasc Bras. 2018 Jul.-Set.;17(3):184-192