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Atuação da fisioterapia na artroplastia de quadril

As funções do quadril são de extrema importância para a independência de um indivíduo, pois sustenta o peso corporal e gera grande amplitude de movimento para a locomoção e realização de atividades.

O quadril é uma articulação diartrose do tipo esferoidal multiaxial e possui estabilidade máxima pelo encaixe da cabeça do fêmur com o acetábulo. Além disso, absorve grandes cargas e impacto no decorrer da vida.

Com o envelhecimento, o quadril pode sofrer diversas afecções e comprometer funcionalmente essa articulação. Uma delas é a osteoartrose (OA), a qual se caracteriza-se como uma doença de etiologia multifatorial, sendo uma injúria dolorosa das articulações proveniente da deficiência da cartilagem associada à sobrecarga mecânica, alterações bioquímicas da membrana sinovial ou de fatores genéticos.

A OA de quadril atinge 20% das pessoas com idade acima de 55 anos e, apesar de ser menos comum do que a OA de joelho, sua sintomatologia é frequentemente mais grave, pois leva a consequências que excedem a degeneração da cartilagem, estando diretamente relacionada com dor, rigidez articular e disfunção muscular.

O tratamento da osteoartrose tem como objetivo principal combater a sintomatologia, aliviar a dor, restabelecer a melhora funcional, mecânica e clínica dos pacientes acometidos, optando-se inicialmente pelo tratamento conservador através de medicamentos e fisioterapia. Em casos de falha no tratamento conservador é indicado tratamento cirúrgico através da artroplastia.

A artroplastia de quadril consiste na reconstrução da articulação do quadril através da colocação de uma prótese total ou parcial devido à degeneração ou desgaste dessa articulação. É um método cirúrgico que visa restaurar a funcionalidade da articulação acometida, visando a melhora da dor e o retorno às funções.

As próteses podem ser feitas de diversos materiais como metal, cerâmica, titânio e polietileno, podendo a artroplastia ser total, quando ocorre a substituição do componente acetabular e femoral ou parcial, quando apenas o componente femoral é substituído.

Tipos de Prótese:

  • Cimentada – em que se usa cimento ósseo para fixar o componente acetabular na pelve e o componente femoral no fêmur.
  • Não-cimentada – a fixação de seus dois componentes (acetabular e femoral) ocorre diretamente nas superfícies ósseas.
  • Híbrida – o componente acetabular é fixado na pelve através de parafusos e o componente femoral é fixado com cimento ao fêmur.
  • Endopróteses – consiste na substituição de grandes segmentos ósseos.

 

As cirurgias na articulação do quadril estão entre as principais executadas na ortopedia e muitas formas de acessos foram descritas para a realização da artroplastia de quadril, sendo os mais comuns: acesso ântero-lateral, acesso lateral e acesso póstero-lateral.

O tipo de prótese, material, bem como a via de acesso escolhida são avaliados pelo cirurgião de quadril, que vai optar levando em consideração as particularidades de cada paciente.

A fisioterapia é um procedimento fundamental na reabilitação de pacientes pós artroplastia de quadril e deve ser iniciada precocemente após a cirurgia. A atuação inicial, na fase hospitalar, consiste em retirar o paciente do leito o mais breve possível, orientar quanto aos cuidados no pós-operatório, restabelecer amplitude de movimentos e força muscular, reduzir co-morbidades, prevenir complicações motoras e respiratórias, recuperar o equilíbrio e a marcha, facilitar a retomada de confiança e segurança do paciente e reduzir o tempo de internação.

As atividades incluem exercícios respiratórios; promoção de integração sensório-motora e cognitiva; mobilização dos membros inferiores (MMII); isometrias de quadríceps e glúteos; profilaxia circulatória; posicionamento dos MMII em abdução e treino de marcha com andador.

O fisioterapeuta deve enfatizar ao paciente os cuidados com movimentos que podem facilitar o mecanismo de luxação de prótese e portanto devem ser evitados, como a rotação interna do quadril, adução além da linha média,  e flexão do quadril acima de 90º.

Algumas complicações podem ocorrer após a cirurgia de artroplastia de quadril. Elas podem ser de origem ósteo-articular (fratura do fêmur, luxação da prótese), neurológica (neuropraxia, axoniotmese, neurotmese), circulatória (tromboembolismo venoso) ou secundárias a infecções.

Realizar um bom tratamento fisioterapêutico no pós-operatório é fundamental para a recuperação total do indivíduo, proporcionando sua independência, retorno às atividades e melhora da qualidade de vida.

 

Por Maria Eduarda N A Cocchieri

Fisioterapeuta pela Universidade de Vila Velha – ES
Especialista em Fisioterapia Hospitalar pela Faculdade Inspirar – PR
Fisioterapeuta Coordenadora do Serviço de Fisioterapia Prófisio – Unidade de Internamento do Hospital Marcelino Champagnat
Prática clínica em pós-operatório das artroplastias de quadril e de joelho
Docente Faculdade Inspirar

Referências

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  • COIMBRA, I.B. et al. Osteoartrite (Artrose): Tratamento. Revista Brasileira de Reumatologia. v. 44, n.6, p. 450-453, 2004.
  • DUARTE, V. et al. Exercícios físicos e osteoartrose: uma revisão sistemática. Fisioterapia em Movimento. v. 26, n. 1, p.193-202, 2013.
  • FIORENTIN, P. et al. Evidências científicas do tratamento fisioterapêutico no pós-operatório de artroplastia de quadril. Biomotriz, v.10, n. 01, p. 104 – 118, Jul./2016.
  • RISSI e COIMBRA. Exercício Físico como Tratamento na Osteoartrite de Quadril: uma Revisão de Ensaios Clínicos Aleatórios Controlados. Rev Bras Reumatol, v. 46, n.4, p. 273-280, jul/ago, 2006

Espirometria

A espirometria ou também conhecida prova de função pulmonar é um exame que permite avaliar a função respiratória através da quantificação dos volumes respiratórios, fluxo e tempo, isto é possível através da mensuração do ar que entra e sai dos pulmões.

É um teste rápido, indolor, capaz de indicar “doenças pulmonares silenciosas” sendo indicado de forma preventiva na medicina ocupacional em exames admissionais e periódicos, possibilitando diagnósticos precoces em pacientes assintomáticos, como por exemplo um distúrbio ventilatório restritivo em pacientes obesos ou distúrbio ventilatório obstrutivo em pacientes fumantes que não apresentam nenhum sintoma inicial, essencial no acompanhamento dos pacientes asmáticos, DPOC, pré e pós operatórios em geral.

Além dos diagnósticos clínicos utilizados pelo médico, como já citados, a espirometria é uma ferramenta utilizada pelo fisioterapeuta no diagnostico cinesiofuncional, possibilitando estratégias e objetivos de reabilitação a curto, médio e longo prazo, também utilizada como biofeedback visual durante a sessão de treinamento funcional respiratório, possibilitando aos pacientes um melhor aprendizado e evoluções diárias das técnicas utilizadas.

A excelência do teste demanda uma boa técnica de comunicação do profissional e da colaboração do paciente, apesar de ser um exame simples que consiste basicamente em puxar e soltar o ar de forma rápida e continua por um bocal conectado em uma aparelho, a literatura nos mostra que em média 70% dos técnicos no Brasil realizam de forma errada, isso pode estar correlacionado ao fato de muitos dos técnicos receberem o treinamento rápido e sem acompanhamento dos próprios profissionais que solicitam.

Este impacto poderia ser diminuído se fosse realizado por fisioterapeutas uma vez que os mesmos detêm conhecimentos de técnicas que podem facilitar a compreensão do sopro forçado e continuo dento dos padrões anatômicos e fisiológicos da função pulmonar.

É importante salientar que a manobra leva o paciente aos dois extremos, uma inspiração máxima total  ( VC = volume corrente +  VRI = volume de reserva inspiratória ) seguida de uma expiração máxima forçada (VRE = volume de reserva expiratória), a falha no comando em qualquer uma das duas fases podem resultar em valores abaixo da normalidade e induzir a um falso teste.

Ao observar o gráfico abaixo e analisar o quanto representa percentualmente cada fase do ciclo respiratório, aceitar que o paciente ou o técnico realizem de forma errônea uma delas, é a certeza de um resultado errado.

INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO

Os valores da espirometria variam de acordo com peso, idade, altura, sexo, biotipo da pessoa, por esse motivo os dados antropométricos devem ser sempre checados no momento do exame.

A espirometria simples ou ocupacional é realizada sem uso de agentes broncodilatadores, já as provas de funções pulmonares levam a aplicação dos broncodilatadores.

O laudo de diagnósticos clínicos devem sempre ser interpretados pelo médico, já os diagnósticos cinesiofuncinais pelo fisioterapeuta. A interpretação deve levar em consideração tantos os valores de cada parâmetro em percentual e as curvas fluxo-volume e volume-tempo, também é importante classificar a gravidade que pode ir de leve a gravíssima.

  • Volume Expiratório Forçado (VEF1): representa a quantidade de ar expirado no primeiro segundo, e por isso, quando está abaixo dos valores de normalidade pode indicar presença de distúrbios obstrutivos.
  • Capacidade vital forçada (CVF): representa a quantidade total de ar que se consegue expirar, quando está abaixo dos valores de normalidade pode sugerir a presença de doenças pulmonares que dificultam a expansão do pulmão, com possíveis distúrbios restritivos.

 

Abaixo um exemplo da curva de Distúrbio Obstrutivo.

 

A seguir um exemplo da curva de um laudo normal.

 

 

Por Flávia Makoski Ciescilivski

Fisioterapeuta Especialista em Terapia Intensiva e Fisioterapia Uroginecologia, Proctologia e Disfunções Sexuais
Gestora Administrativa da Franquia Prófisio no Hospital Marcelino Champagnat – Curitiba – Fisioterapeuta atuante junto a equipe do Check-up (Avaliação Funcional Fisioterapêutica e Testes de Função Pulmonar).
Professora e Coordenadora adjunta da Faculdade Inspirar do Curso de Pós Graduação de Fisioterapia Pélvica – Anápolis / Goiás
Mestranda pela UFPR/Faculdade Inspirar – Clínica Cirúrgica

 

REFERÊNCIAS

  • Costa, D. e Jarnarni, M. BASES FUNDAMENTAIS DA ESPIROMETRIA. Rev. bras. fisioter. Vol. 5 No. 2 (2001), 95-102.

Escalas de avaliação da qualidade de sono em pacientes críticos – uma ferramenta para a melhoria no cuidado

O sono é um processo essencial para o descanso, reparação, bem estar, preservação da homeostase e equilíbrio de diferentes sistemas corporais.

Consistindo em um processo ativo que envolve múltiplos e complexos mecanismos fisiológicos e comportamentais do sistema nervoso central (SNC).

É regulado por mecanismos cicardianos, ou seja, um ciclo de 24 horas sobre o qual se baseia o “relógio biológico” de quase todos os seres vivos.

Este ciclo tende a ser sincronizado com as 24 horas do dia por estímulos, predominantemente, pela exposição a luminosidade.

O sono do paciente crítico é um assunto de crescente interesse, e diversos estudos apontam que o sono na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é caracterizado pela sua baixa qualidade, contribuindo para a morbidade destes pacientes.

Dentre as causas de privação de sono na UTI estão fatores intrínsecos aos pacientes e a condição de sua doença, bem como fatores relacionados ao ambiente da UTI e ao tratamento em curso, como o suporte ventilatório, a terapia medicamentosa, os cuidados da equipe de multidisciplinar, os ruídos de monitores e a luminosidade do ambiente.

 

 

A polisonografia (PSG), exame padrão ouro para avaliar alterações do sono, demonstrou que estes distúrbios são caracterizados por fragmentação do sono, com despertar frequente.

A arquitetura do sono sofre maior alteração nos períodos iniciais do sono gerando também na redução na porcentagem de sono profundo e reparador.

Por outro lado, a aplicação de questionários para avaliar subjetivamente o sono de pacientes internados em UTI vem ganhando destaques na literatura, de fácil aplicação às escalas podem ser utilizadas por qualquer profissional da saúde.

O Richards – Campbell Questionnaire (RCSQ) que avalia o sono a partir de 5 dimensões: profundidade, latência, fragmentação, tempo para retomada e qualidade do sono.

As respostas são registradas em uma escala analógica visual de 100mm, onde resultados mais altos representam um sono de maior qualidade.

Já o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI) avalia a qualidade do sono através de 19 questões de auto-relato graduados com score de 0 (nenhuma dificuldade) a três (dificuldade grave).

A Sleep in the Intensive Care Unit Questionnaire, com 27 itens, avalia o sono em 4 dimensões: qualidade; fatores disruptivos causados pela equipe de cuidados; fatores disruptivos de origem ambiental e sonolência diurna.

A possibilidade de pontuar individualmente o papel de uma série de perturbações do sono decorrentes do ambiente de UTI torna estes questionários uma ferramenta que auxilia os profissionais da saúde a identificar, corrigir e avaliar a eficácia das intervenções, promovendo melhorias na qualidade de sono do paciente crítico e atuando diretamente em sua recuperação.

 

Por Luana Caroline Kmita
Graduada em Fisioterapia pela Uniguaçu
Pós graduada em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar
Mestre em Fisiologia Humana pela UFPR – laboratório de neurofisiologia, ênfase em distúrbios de sono na doença de Parkinson.
Fisioterapeuta Intensivista Prófisio – Hospital Vita Batel.

 

Referências

  • Beltrami FG et al. Sono na Unidade de Terapia Intensiva. J Bras Pneumol. 2015;41(6):539-546.
  • Bourne RS et al. Clinical review: Sleep measurement in critical care patients: research and clinical implications. Critical Care200711:226
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  • Orwelius L et al. Prevalence of sleep disturbances and long-term reduced health-related quality of life after critical care: a prospective multicenter cohort study. Critical Care200812:R97
  • Togeiro SMGP; Smith AK. Diagnostics methods for sleep disorders. Rev Bras Psiquiatr. 2005;27(Supl I):8-15
  • Araujo, PAB et al. Índice da qualidade de sono de Pittsburgh para uso na reabilitação cardiopulmonar e metabólica. Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 6 – Nov/Dez, 2015

Fisioterapia na prevenção do tromboembolismo venoso

O Tromboembolismo Venoso (TEV), consiste na formação de um coágulo sanguíneo (trombo), geralmente originado nos membros inferiores.

Pode ser apresentado em duas formas mais frequentes:

  • a trombose venosa profunda (TVP) – quando o coágulo formado obstrui a passagem sanguínea em veias dos membros inferiores;
  • o tromboembolismo pulmonar (TEP), quando o coágulo sanguíneo se desloca e obstrui algum ponto do leito vascular pulmonar, geralmente acarretando insuficiência respiratória aguda.

Uma terceira forma e menos frequente de apresentação é a trombose venosa superficial.

A tríade de Virchow considera como fatores de desenvolvimento de tromboses os seguintes aspectos: estase sanguínea, lesão endotelial e a hipercoagulabilidade sanguínea.

Para a prevenção dessa afecção é necessário atuar diretamente combatendo esses três fatores.

A fisioterapia atua diretamente na prevenção e/ou minimização de estase sanguínea, além de participar ativamente no processo educacional destinado aos pacientes e familiares envolvidos no tratamento.

A TEV é a primeira causa de morte evitável em pacientes no ambiente hospitalar.

Todos os pacientes internados, sejam esses, clínicos ou cirúrgicos devem ser avaliados quanto a presença ou não de fatores de risco para o desenvolvimento do tromboembolismo.

Perante pacientes cirúrgicos, deve-se verificar o risco específico da cirurgia e o tipo de anestesia.

Pacientes submetidos à neurocirurgia e cirurgias cardíacas exigem medidas de prevenção diferenciadas, pelo risco de sangramento durante as mesmas.

Ao se tratar de saúde materna, existe um alto índice de tromboembolismo venoso durante a gestação, parto e puerpério, principalmente quando são submetidas a via de parto cesárea.

E em especial no Brasil, onde acontece o maior número de cesáreas no mundo. Sendo a embolia pulmonar associada a gravidez, a maior causa de morbidade e mortalidade em gestantes. 3 a cada 1000 gestações são verificados casos de TVP ou TEP.

A prevenção eficaz para eventos de tromboembolismo venoso consiste em uma avaliação multiprofissional efetiva e competente.

A avaliação consiste na estratificação de fatores de risco para o desenvolvimento da afecção sanguínea estudada. Esta deve acontecer até 24 horas após o horário da internação –  e o paciente deve ser reavaliado diariamente.

Em pacientes cirúrgicos, quando possível, deve ser realizada uma pré-avaliação, que será encaminhada junto ao paciente para o centro cirúrgico, anexada ao planejamento da cirurgia.

Chama atenção a incidência de pacientes oncológicos apresentarem maior incidência de eventos tromboembolíticos. Estudos apontam que 1 a cada 5 pacientes com câncer desenvolvem TEV.

É a segunda causa de morte mais comum entre esses pacientes, eles poderiam sobreviver mais tempo se não fosse a TEV. A correlação entre câncer e tromboembolia leva em consideração o local da tumoração, o estadiamento da doença, dentre outros.

É comum de a TEV ser a primeira manifestação de doença neoplásica. Sendo denominada Síndrome de Trousseau – o tromboembolismo espontâneo associado a uma neoplasia silenciosa.

Estudos apontam que o câncer aumenta em quatro vezes a chance de o paciente desenvolver TEV; a quimioterapia aumenta esse risco para seis vezes. Mesmo quando estão com dosagem de anticoagulação completa.

Pacientes oncológicos que desenvolvem TEV tem um risco de 94% de evoluir a óbito até os 06 meses depois do episódio. Células neoplásicas podem ativar mecanismo de coagulação por diferentes meios.

Durante a estratificação dos pacientes quanto ao risco de desenvolverem TEV, esses são classificados em baixo, intermediário e alto risco – e diversos fatores são abordados.

A estratificação de risco pode ser realizada através de escalas ou escores. Os mais utilizados para a TEV são o Escore de Caprini (pacientes cirúrgicos) e Escore de Pádua (pacientes clínicos).

 

 

 

O profissional fisioterapeuta atua de forma contínua, estabelece protocolos e metas assistenciais, realiza avaliação funcional periódica dos pacientes, estimula mobilização precoce, movimentos passivos, realiza atividades diárias de reabilitação, orientações de posicionamento dos membros, profilaxia circulatória, estabelece frequência e distância de caminhadas, supervisiona e elabora diário de caminhada.

Vale salientar que o fisioterapeuta busca todas as medidas necessárias para a profilaxia da perda da funcionalidade e/ou estimulação da mesma, sempre visando a melhora da qualidade do internamento e da qualidade de vida.

 

Por Rosilene de Santana Sanches

Fisioterapeuta pela Universidade Tiradentes. Pós-graduação em cardiorrespiratória pela Faculdade Inspirar. Formação em Pilates pela Physioserv. Experiência em docência e coordenação em curso de Fisioterapia. Atualmente Fisioterapeuta no Hospital Marcelino Champagnat.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Mechanisms of venous thromboembolism in cancer: a literature review Mecanismos do tromboembolismo venoso no câncer: uma revisão da literatura. Marcos José Pereira Renni1 , Mônica Hermida Cerqueira2 , Ingrid de Araújo Trugilho1 , Mario Lúcio Cordeiro Araujo Junior1 , Marcos Arêas Marques3 , Hilton Augusto Koch4  J Vasc Bras. 2017 Out ut.-Dez.; 16(4):308-313
  • Estudo TRomboEmbolismo Venoso pós-Operatório (TREVO) — risco e mortalidade por especialidade cirúrgica. Cristina Amaral a,∗, Luís Guimarães Pereiraa, Ana Moretoa, Ana Carolina Sáa, Ana Azevedo. 2017 Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Publicado por Elsevier Espana, ˜ S.L.U. Todos os direitos reservados.
  • Venous Thromboembolism and Route of Delivery – Review of the Literature, Matheus Schimidt Evangelista1 Karina Slompo1 Jorge Rufino Ribas Timi2, Rev Bras Ginecol Obstet, December 12, 2017
  • Incidencia y factores de riesgo de enfermedad tromboembólica venosa en cirugía mayor espinal, sin profilaxis química o mecánica
  • Rojas-Tomba ∗, I. Gormaz-Talavera, I.E. Menéndez-Quintanilla, J. Moriel-Durán, D. García de Quevedo-Puerta y F. Villanueva-Pareja. Servicio de Cirugía Ortopédica y Traumatología, Hospital Regional Universitario de Málaga, Málaga, Espana˜ Recibido el 24 de junio de 2015; aceptado el 19 de octubre de 2015 Disponible en Internet el 13 de enero de 2016
  • Do we know how to prescribe venous thromboembolism prophylaxis to hospitalized patients? Sabemos prescrever profilaxia de tromboembolismo venoso nos pacientes internados? Bruno Abdala Candido Lopes1 *, Isabela Pizzatto Teixeira1 , Taynara Dantas de Souza1 , Jean Rodrigo Tafarel1,  J Vasc Bras. 2017 Jul-Set;16(3):199-204
  • Quali prospettive nel trattamento del tromboembolismo venoso dopo i risultati dello studio Hokusai-VTE Cancer?Iris Parrini1, Irma Bisceglia2 1Cardiologia, Ospedale Mauriziano, Torino 2Percorsi Cardiologici Integrati, A.O. San Camillo-Forlanini, Roma, G Ital Cardiol 2018;19(6):333-338
  • PROTOCOLO TEV: Tromboembolismo Venoso Documentação Operacional HSL-PROT-CORP-006/REV.09. Protocolo do Hospital Sírio Libanês. Versão online disponível em : https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/institucional/gestao-da-qualidade/Documents/2018-11-01-protocolos/Protocolo%20TEV/Protocolo%20TEV_VF.pdf
  • Incidência de trombose venosa profunda e estratificação dos grupos de risco em serviço de cirurgia vascular de hospital universitário Incidence of deep venous thrombosis and stratification of risk groups in a university hospital vascular surgery unit. Alberto Okuhara1 *, Túlio Pinho Navarro1 , Ricardo Jayme Procópio1 , José Oyama Moura de Leite2 J Vasc Bras. 2015 Abr.-Jun.; 14(2):139-144
  • Avaliação da profilaxia da trombose venosa profunda em um hospital geral Evaluation of deep vein thrombosis prophylaxis in a general hospital. Fátima Cristiane Lopes Goularte Farhat1 , Hellen Caroliny Torres Gregório2 , Rafaela Durrer Parolina de Carvalho3/J Vasc Bras. 2018 Jul.-Set.;17(3):184-192

Os benefícios da fisioterapia ao ar livre para pacientes hospitalizados

Além de todos os benefícios já conhecidos da prática de atividade física por si só, a Ciência também comprovou que a exposição a espaços verdes durante a prática de atividades físicas confere benefícios significativos para a saúde, especialmente no que se refere à função cerebral e à saúde mental.

Pesquisadores da Universidade de Essex, na Inglaterra, fizeram estudos com mais de 1000 pessoas e concluíram que aquelas que faziam exercícios ao ar livre apresentavam melhoras no humor e na autoestima.

Segundo os pesquisadores, apenas 5 minutos se exercitando em áreas verdes já são suficientes para a atividade apresentar os efeitos positivos.

Um estudo realizado na Universidade de Glasgow, na Escócia, com 2 mil voluntários fisicamente ativos, descobriu que pessoas que fazem exercícios ao ar livre ficam 50% mais felizes do que aquelas que passam horas dentro da academia.

Os pesquisadores analisaram ambientes naturais e não naturais para atividades que incluíam caminhadas, corrida e ciclismo, e descobriram que estar em torno de árvores e grama reduzia os níveis de estresse cerebral.

De acordo com outro estudo realizado pela Universidade de Glasgow, pessoas que fazem atividades físicas fora da academia sintetizam melhor a vitamina D.

Após estudos, pesquisadores do Reino Unido, concluíram que os adeptos de exercícios externos ficavam mais propensos a repetir a atividade dentro de um período do que aqueles que só frequentavam academia.

A explicação é que realizar exercícios ao ar livre estimula mais os sentidos, o que contribui com a motivação para repetir a atividade.

Um estudo feito na Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, apontou que os pacientes que têm contato frequente com a luz do sol apresentam recuperação mais rápida e menos dor que os pacientes que não vão aos ambientes externos.

Esther M. Sterberg, fala em seu livro “The Science of Place and Well-Being” sobre os chamados espaços que curam.

A autora cita o caso de um pesquisador que em 1980 descobriu que pacientes que mantinham contato com a natureza recuperavam-se mais rápido que aqueles que não estavam inseridos neste ambiente.

A partir daí, constatou-se que a saúde do ambiente ou a humanização deste está diretamente ligada à saúde do corpo e mente.

Este tema não é tão moderno quanto parece, um dos maiores exemplos disso é o Hospital de La Santa Creu I Sant Pau, localizado em Barcelona.

Fundado em 1401, teve seu endereço transferido em 1902 para o distrito de Eixample, devido ao crescimento da cidade.

Em seu novo projeto, coordenado pelo arquiteto Lluís Domènech I Montaner, foram construídos 12 pavilhões, interligados.

Ao conceber a ideia do novo hospital, Lluís teve a preocupação de manter a luminosidade natural e a vegetação em diversos pontos da construção, garantindo assim a sensação de bem-estar entre os pacientes.

Umas das explicações que embasa esse novo conceito de arquitetura é a que o ambiente hospitalar quando humanizado afeta diretamente na recuperação de pacientes.

Sendo assim, propiciar um clima acolhedor, excetuando a frieza e impessoalidade comumente encontrada em unidades hospitalares, é uma preocupação latente entre gestores, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e arquitetos.

Projetar ambientes que tragam a sensação de conforto, acolhimento e impulsionem a recuperação deve ser uma das preocupações da gestão hospitalar moderna e humanizada.

A aplicação deste modelo de assistência humanizada contribui diretamente para o bem-estar dos pacientes, aumentando exponencialmente suas chances de recuperação.

 

Por Sabrina Donatti F. da Silva
Graduada em Fisioterapia pela Universidade São Francisco. Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) e pelo Centro de Estudos e Pesquisa em Terapia Intensiva (CEPETI). Pós-Graduação em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela Universidade Tuiuti. MBA em Gestão, Qualidade e Auditoria em Saúde pela Faculdade Inspirar. Diretora do Núcleo de Gestão e Qualidade da Prófisio Assistência Fisioterápica. Coordenadora de Fisioterapia Hospital do Trabalhador (Prófisio). Docente da Faculdade Inspirar.

 

REFERÊNCIAS

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  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de promoção da saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
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  • WERNECK, FZ.; BARA FILHO, MG; RIBEIRO, L. C. S. Efeitos do exercício físico sobre os estados de humor: uma revisão. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte e do Exercício, Juiz de Fora, v. 0, n. 0, p.22-54, 2006.
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  • http://www.acr.arq.br/blog/arquitetura-humanizada
  • https://exame.abril.com.br/negocios/dino/exercicios-ao-ar-livre-tornam-aspessoas-50-mais-felizes-dino89089447131/

Escala de mobilidade: Perme Intensive Care Unit Mobility Score

Atualmente podemos encontrar na literatura 26 escalas que se propõem a avaliar a funcionalidade, porém apenas 6 foram desenvolvidas especificamente para a avaliação de pacientes críticos sendo elas: Physical Function in Intensive Care Test Scored, Chelsea Critical Care Physical Assessment Tool, Perme Intensive Care Unit Mobility Score, Surgical Intensive Care Unit Optimal Mobilization Score, ICU Mobility Scale e Functional Status Score for the ICU.

A Perme ICU Mobility foi desenvolvida para medir o estado de mobilidade do paciente, começando com a capacidade de seguir comandos, finalizando com a distância percorrida em 2 minutos.

A sequência dos itens a serem avaliados foi determinada pela progressão das atividades de mobilidade, rotineiramente utilizadas pelos fisioterapeutas na mobilização, estando o escore dividido em 15 itens agrupados em 7 categorias: estado mental, barreiras de mobilidade, força funcional, mobilidade do leito, transferências, marcha e resistência, com uma pontuação variando entre 0 e 32.

Os ítens incluídos na categoria “estado mental” são níveis variáveis de excitação e capacidade de seguir comandos, que refletem a capacidade do paciente de participar de atividades planejadas de mobilidade.

A categoria “potenciais barreiras à mobilidade” identifica a dor, o uso de um ventilador, tubos rotineiramente utilizados na UTI e a infusão contínua de fluidos ou medicamentos.

Esta categoria foi incluída porque os pacientes podem ser mobilizados mesmo na presença de um ou mais dos ítens acima.

“Força Funcional” focada na capacidade de levantar braços e pernas contra a gravidade, sendo esperado que um paciente capaz de mover os membros contra a gravidade tenha a força funcional necessária para a mobilidade progressiva.

A “mobilidade no leito” mediu a capacidade do paciente em se mover de uma posição supina ou semi reclinada para sentado e o equilíbrio sentado na beira da cama.

A categoria “transferências” abordou a capacidade do paciente de se deslocar de uma posição sentada para em pé ao lado da cama, equilíbrio estático em pé e a capacidade de transferir da cama para outras superfícies, incluindo uma cadeira e cadeira de rodas.

A categoria “marcha” avaliou a capacidade do paciente em andar usando qualquer dispositivo auxiliar, como andador ou bengala, ou sem um dispositivo de auxílio.

A categoria “endurance” avaliou a distância percorrida em 2 minutos. Mediu a capacidade funcional abordando a distância total percorrida por 2 minutos.

O Perme ICU Mobility Score é uma ferramenta quantitativa bem definida que fornece uma avaliação confiável do status de mobilidade de um paciente na UTI. Também é prático, pois pode ser concluído em apenas alguns minutos no final das intervenções de mobilidade.

 

 

Por Maíra Maturana
Mestre em fisiologia
Docente na Faculdade Inspirar
Fisioterapeuta/Sócia Diretora da Profisio – unidade INC
Sócia Diretora da Faculdade Inspirar Campinas

Referências

Perme C, Nawa RK, Winkelman C, Masud F. A tool to assess mobility status in critically ill patients: the Perme Intensive Care Unit Mobility Score. Methodist Debakey Cardiovasc J. 2014 Jan-Mar;10(1):41-9.

Almeida NFF. Aplicação do perme intensive care unit mobility score e icu mobility scale em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Programa de Aprimoramento Profissional/CRH/SES-SP elaborada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP.2018

Fisioterapia aquática em Unidade de Terapia Intensiva Neo-Pediátrica

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) trata-se de um setor fechado e, por mais que hajam todos os cuidados do mundo pelos colaboradores, não deixa de ser um ambiente estressor.

Barulhos de alarmes de monitores, ventiladores mecânicos, bombas infusoras, portas, conversas e outros mais ruídos podem servir como fatores de risco para o estresse dento da UTI.

Existe um determinado perfil de pacientes, os bebês, que pode ser contemplado com uma técnica relaxante e terapêutica para tentar fugir de toda esta sobrecarga sensorial.

Trata-se da fisioterapia aquática ou hidrocinesioterapia. Alguns nomes populares também vêm sendo utilizados como banho de ofurô ou banho no balde.

A fisioterapia aquática pode ser uma atividade saudável e de prevenção.

 

 

 

 

 

 

Esta modalidade terapêutica pode ser utilizada com eficiência como tratamento coadjuvante na terapia de sono, para melhorar o estímulo à alimentação, como método de redução da dor e estresse e na prevenção de anormalidades posturais.

Dentro da UTI, a técnica tem se mostrado benéfica em neonatos estáveis clinicamente quando feita com técnica elaborada por profissionais competentes e com o apoio de toda a equipe multiprofissional.

Como fazer?

Para a realização do “banho terapêutico”, é necessário apenas um recipiente (balde ou ofurô) e água quente, entre 38 e 42 graus Celcius.

Evita-se utilizar cubas de metal para evitar risco de queimaduras no bebê, caso seja utilizado algum artefato térmico na água para aquecê-la.

Os recipientes utilizados também não podem ser muito porosos para que seja possível uma boa higienização e desinfecção.

O bebê deve ser colocado submerso na água até o pescocinho, ficando apenas com a cabecinha para fora.

O motivo disso é utilizar de uma propriedade que é a pressão hidrostática, fazendo com que todo o corpinho do bebê receba a mesma pressão e o mesmo contato, com a exceção das mãos do profissional.

Ao ser submerso na água, o bebê começa a ter sensações muito parecidas às sentidas quanto estava ainda na barriga da mamãe: um lugar quentinho, confortável e totalmente protegido.

Estas sensações associadas aos benefícios da água quente, favorecem o relaxamento e sensação de bem-estar.

Os movimentos a serem realizados são o de flutuação, turbilhonamento na água e até técnicas de massoterapia e/ou manobras de fisioterapia respiratória.

Vale salientar que por mais que seja um “banho terapêutico”, sabonetes em barra ou líquido não devem ser utilizados para garantir a segurança do bebê, impedindo assim que ele escorregue pelas mãos do fisioterapeuta.

Mais benefícios

Fisiologicamente, a técnica auxilia na diminuição de alguns dados vitais como frequência cardíaca e respiratória e aumenta outro dado que vem a ser a saturação periférica de oxigênio.

Todos estes dados somados corroboram para uma melhor homeostasia do bebê.

Em casos de análise comportamental, o “banho terapêutico” pode diminuir a dor e o estresse dos bebês, dados estes estudados através da utilização de escalas subjetivas como a Escala de Brazelton Modificada e a Sistema de Codificação de Atividade Facial Neonatal (NFCCS).

Em suma, através da hidrocinesioterapia, os recém-nascidos acabam sendo contemplados com a diminuição da sobrecarga sensorial.

Isto implementa uma grande lista de benefícios como: melhora do ciclo de sono X vigília, diminuição ou profilaxia da perda de peso, melhora do estímulo durante a amamentação, melhora da plasticidade cerebral devido a melhora do fluxo sanguíneo, diminuição dos níveis de cortisol melhorando a homeostasia devido a diminuição do hormônio do estresse.

Ainda há mais um benefício a ser ressaltado, o carinho trocado durante todo este momento.

Sem dúvida alguma, quando a técnica fisioterapia aquática é bem indicada e ainda é realizada de maneira eficaz pelo profissional ou indivíduo que está fazendo, o vínculo emocional enaltece os corações o que faz tornar a técnica ainda mais atrativa e realizada.

Por Juliana Thiemy Librelato.
Fisioterapeuta
Especialista em Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva
Especialista em Fisioterapia em Neo-Pediatria
Fisioterapeuta da Profísio Assistência Fisioterápica
Professora da Faculdade Inspirar

Referências

Getz M, Hutzler Y, Vermeer A. Effects of aquatic interventions in children with neuromotor impairments: a systematic review of the literature. Clin Rehabil. 2006;20(11):927-36.

Gaspardo CM, Linhares MBM, Martinez FE. A eficácia da sacarose no alívio de dor em neonatos: revisão sistemática da literatura. J Pediatr (Rio J). 2005;81:435-42.

Graven S. Sleep and brain development. Clin Perinatol. 2006;33:693-706.

Carine Vignochi¹, Patrícia P. Teixeira², Silvana S. Nader³. Effect of aquatic physical therapy on pain and state of sleep and wakefulness among stable preterm newborns in neonatal intensive care units. Rev Bras Fisioter. 2010;14(3):214-20.

Caromano FA, Themudo-Filho MRF, Candeloro JM. Efeitos fisiológicos da imersão e do exercício na água. Fisioter Bras. 2003;4(1):1-5.

Reabilitação precoce do paciente amputado

Amputação consiste na retirada total ou parcial de um membro não funcional devido doença ou lesão, sendo a amputação de membro inferior mais frequente que a de membro superior.

As causas mais comuns são diabetes, doença vascular periférica, infecções, traumas e tumores malignos e, dentre estas, as causas traumáticas correspondem a 20% dos casos, atingindo mais o adulto jovem do sexo masculino, decorrentes de acidentes de trânsito ou ferimentos por arma de fogo.

A cirurgia de amputação tem por objetivo retirar total ou parcialmente o membro acometido e criar novas perspectivas de funcionalidade para a região amputada.

Sabe-se que quanto mais longo o membro residual e melhor a qualidade da cicatrização, melhor o prognóstico de reabilitação e adaptação à prótese.

O programa de reabilitação no pós-operatório é dividido em fase pós-cirurgica, que compreende o tempo entre a cirurgia e a protetização, e a fase protética que se inicia com a entrega do membro de reposição permanente .

Quanto mais precoce iniciar o processo de reabilitação, melhor a recuperação e adaptação do paciente à nova condição e menor a chance de complicações como contraturas musculares, debilidade geral e estado psicológico depressivo.

A reabilitação necessitará de uma ação conjunta da equipe multidisciplinar e, quando possível, as ações de reabilitação podem ser iniciadas na fase pré-cirúrgica, com avaliação física, melhora do condicionamento cardiopulmonar, orientações sobre prognóstico funcional e metas de reabilitação a serem atingidas.

Nesta fase também se inicia o preparo psicológico para lidar com todo o processo, facilitando a aceitação da nova condição e adesão ao programa de reabilitação.

O fisioterapeuta precisa estar envolvido logo cedo no atendimento do paciente amputado.

O profissional é responsável por avaliar a condição do membro acometido, mensurar e melhorar sua função cardiopulmonar e fisiológica geral, pré e pós cirúrgica, analisar o grau de independência, identificar alterações de sensibilidade e dor fantasma, orientar o paciente, familiares ou cuidadores e definir planos para alta hospitalar.

 

Fase hospitalar

Após o procedimento cirúrgico, o fisioterapeuta se depara com um paciente fragilizado pelo procedimento, em luto (ou em negação) pela perda do membro acometido e apresentando quadro álgico intenso, tanto no local da incisão cirúrgica, quanto no membro fantasma.

Os primeiros atendimentos não são fáceis e é necessário que toda a equipe esteja envolvida a fim de acolher o paciente de forma humanizada, amenizar o sofrimento, gerar conforto e incentivar a adesão do paciente e familiares no processo de reabilitação.

O fisioterapeuta terá como objetivo:

  • Garantir um equilíbrio muscular adequado, recuperando a função muscular prévia através de recursos como cinesioterapia, eletroestimulação e retirada precoce do leito.
  • Amenizar o quadro álgico no membro acometido e em outras regiões. É comum o paciente desenvolver áreas de tensão muscular devido ao tempo de imobilidade no leito, pela ansiedade e pelo quadro álgico, que mesmo com alternativas medicamentosas, demoram a se resolver. O fisioterapeuta pode utilizar de terapias manuais, bandagem funcional, eletro e termoterapia para auxiliar neste momento.
  • Impedir contraturas musculares e posturas viciosas assim como iniciar o processo de dessensibilização e modelagem do coto assim que for liberado pelo médico cirurgião responsável.
  • Estimular o paciente no desenvolvimento de habilidades, através dos treinos de transferências, de deambulação com muletas e de equilíbrio em ortostase.
  • Facilitar a aceitação da nova condição e favorecer o ajuste da imagem corporal.
  • Orientar o paciente e familiares quanto ao processo de reabilitação em todas as fases e sanar possíveis dúvidas que certamente surgirão.

Sucesso na Reabilitação

O sucesso do programa de reabilitação se dá pelo estado psicológico e fisiológico do paciente e pelas características do membro residual, garantindo a recuperação da funcionalidade pré-amputação.

É um processo longo, com várias etapas e objetivos a serem alcançados, porém com o comprometimento de todos os envolvidos o resultado deve ser favorável e o paciente será capaz de retomar sua vida, objetivos e sonhos que poderão ser os mesmos ou novos.

Existem vários pacientes amputados que nos marcaram, além de tantos outros exemplos ao nosso redor.

Exemplos de que a falta de um membro ou parte dele não limita e que sempre podemos superar os obstáculos que surgirem no caminho.

 

Por Larissa Mello Dias
Fisioterapeuta Prófisio – Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Trabalhador
Supervisora da Pós Graduação de Fisioterapia em Terapia Intensiva, Treinamento em Serviço – Faculdade Inspirar
Especialização em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Branddom R.L., Chan L., Harrast M.A. Physical Medicine and Reabilitation. 4ª edição. Ed. Elsevier. 2011.

O’Sullivan S.B., Schmitiz T.J. Fisioterapia – Avaliação e Tratamento. 5ª edição. Ed. Manole. 2010.

Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. 2ª edição. Brasilia – DF. 2014.

Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ministério da Educação. POP: Fisioterapia Ambulatorial em Amputado de Membro Inferior – Unidade de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Universidade do Triângulo Mineiro – Uberaba: EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, 2015.

Department of Veterans Affairs, Department of Defense. VA/DoD Clinical Practice Guideline for Rehabilitation of indiviuals with Lower Limb Amputation. Version 2.0. United States of America, 2017.

Chamlian T.R., Santos J.K., Faria C.C., Pirrelo M.S., Leal C.P. Dor relacionada à amputação e funcionalidade em indivíduos com amputações de membros inferiores. Acta Fisiatr. 2014;21(3):113-116.

Branco R.L.L., Santos K.P.B., Luz S.C.T. Promovendo a saúde da pessoa amputada: uma ação educativa chamada conversa no leito. Cad. Bras. Ter. Ocup., São Carlos, v.25, n. 3, p. 641-648, 2017.

Escala de Estado Funcional em UTI: FSS-ICU

É comum encontrarmos pacientes críticos com fraqueza muscular e comprometimento funcional que podem persistir por muito tempo após a alta.

A aplicação de escalas de funcionalidade tem como objetivo principal minimizar esta perda funcional adquirida, além de preservar ou recuperar a capacidade do paciente em realizar tarefas básicas de mobilidade.

A avaliação do desempenho funcional é vista, cada vez mais, como uma medida preciosa de resultado em testes clínicos e são comumente utilizadas na identificação do diagnóstico e prognóstico para nortear o terapeuta na elaboração de tratamentos e prevenção de incapacidades físicas.

Dentre as ferramentas citamos a Escala de Estado Funcional para UTI ( FSS-ICU), uma medida de desfecho que avalia a função física e foi especialmente desenvolvida para pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), traduzida e validada para a língua portuguesa.

Esta ferramenta envolve cinco tarefas funcionais:

  • rolamento
  • transferir-se da posição supina para sentada
  • transferir-se da posição sentada para em pé
  • sentar-se à beira do leito
  • caminhar

Definições do Escore

Cada uma das tarefas recebe uma pontuação de zero a 7, com escore máximo 35, onde quanto mais elevado, maior integridade física e independência.

 

Escore

Definição

0

incapaz de tentar ou concluir a tarefa completa em razão de fraqueza

1

Dependência total

2

Assistência máxima (o paciente realiza ≤ 25% do trabalho)

3

Assistência moderada (o paciente realiza 26% – 74% do trabalho)

4

Assistência mínima (o paciente realiza ≥ 75% do trabalho)

5

Apenas supervisão

6

Independência modificada

7

Independência total

 

Trush et al avaliou 101 pacientes que estiveram internados em 38 leitos nos Estados Unidos, durante 8 meses, utilizando a FSS-ICU, após os 4 dias da admissão e a cada 2 semanas até a alta.

Identificaram que o escore FSS-ICU melhorou significantemente durante a permanência na UTI, e esta ferramenta pode documentar as melhoras funcionais dos pacientes na UTI.

Da mesma forma Mehrholz et al  identificaram que o escore FSS-ICU pode prever a recuperação da função caminhar para pacientes com fraqueza muscular adquirida na UTI.

A FSS-ICU é uma ferramenta que pode facilmente ser integrada e utilizada pelo fisioterapeuta na avaliação da função física dos pacientes críticos e não exige qualquer equipamento adicional.

Por Maíra Maturana
Mestre em fisiologia
Docente na Faculdade Inspirar
Fisioterapeuta/Sócia Diretora da Profisio – unidade INC
Sócia Diretora da Faculdade Inspirar Campinas

Referências

Silva VZM, Neto JAA ,  Cipriano Jr.G Et al. Versão brasileira da Escala de Estado Funcional em UTI: tradução e adaptação transcultural. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(1):34-38

Thrush A, Rozek M, Dekerlegand JL. The clinical utility of the functional status score for the intensive care unit (FSS-ICU) at a long-term acute care hospital: a prospective cohort study. Phys Ther. 2012;92(12):1536- 45. 12.

Mehrholz J, Muckel S, Oehmichen F, Pohl M. First results about recovery of walking function in patients with intensive care unit-acquired muscle weakness from the General Weakness Syndrome Therapy (GymNAST) cohort study. BMJ Open. 2015;5(12):e008828

Martinez, B. P; Bispo, A. O, Duarte, A. C; Neto, M. Declínio funcional em uma unidade de terapia intensiva (uti), rev. Inspirar movimento e saúde, vl.5, n 1, ed. 23 de março de 2013.

 

Ultrassonografia muscular em UTI

Não é novidade que a doença crítica causa inúmeras consequências relacionadas à funcionalidade para o indivíduo em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O principal limitador de função, tanto na fase intra-hospitalar quanto na pós-hospitalar, é a fraqueza muscular adquirida em UTI, causada principalmente pelo imobilismo decorrente da instabilidade desses pacientes.

A mobilização precoce é o principal recurso utilizado pela fisioterapia na UTI, com objetivo de prevenir e diminuir essa perda de massa e força muscular.

Porém, a avaliação da força e da massa muscular ainda é uma dificuldade muito presente no ambiente de pacientes críticos.

Alguns dos recursos que podem ser utilizados para esta prática trazem limitações, como a perimetria, que é influenciada pelo balanço hídrico do paciente, e exames como tomografia e ressonância, que não podem ser realizados a beira leito, necessitando de transporte e sendo de alto custo.

A ultrassonografia (USG) como alternativa

A ultrassonografia (USG) aparece em vários estudos como um aliado a avaliação de massa muscular de pacientes criticamente enfermos.

A USG é considerada como um recurso confiável, seguro, acurado, facilmente aplicável e não invasivo para a avaliação muscular.

Além de não necessitar da colaboração do paciente, é um recurso portátil e com capacidade equivalente aos outros exames de imagem.

Com a utilização da USG é possível quantificar a perda de massa muscular, inferir diminuição de força muscular e observar a presença de necrose com acúmulo de colágeno e de gordura no músculo.

Recurso reconhecido

A importância desse recurso para os fisioterapeutas já é reconhecida pela lei federal 12.842, 12 de julho de 2013, e pelas resoluções 381/2010 e 400/2011 (Artigo 3º) do COFFITO, em que ressaltam que o fisioterapeuta especialista pode utilizar a USG com objetivo de realizar diagnóstico e avaliação de resultados.

A imagem da USG é obtida por meio de um transdutor, que emite ondas de ultrassom, acoplado a pele. Essas ondas se impactam com as estruturas do corpo e retornam para o transdutor formando uma imagem.

Geralmente, a avaliação musculoesquelética é realizada nos planos transversal e longitudinal, sendo quantificado espessura do músculo, área de secção transversa, ecointensidade e o ângulo e comprimento do fascículo.

Para que a avaliação por meio do USG seja validada é necessário padronizar as medidas entre os examinadores, buscando reprodutibilidade, e isso é possível por meio de um treinamento para padronização de protocolos.

É importante lembrar

É importante que o profissional domine as técnicas de aquisição de imagem, como qual transdutor escolher e qual área do músculo avaliar, posicionamento do transdutor e o cuidado para não comprimi-lo contra a região avaliada.

Inicialmente, eram mais utilizadas as medidas de espessura ou área de secção transversa muscular, que são relacionadas ao volume muscular, porém a diminuição de força muscular nem sempre estava relacionada a espessura.

Em complemento, um estudo relacionou o aumento da ecointensidade muscular com a diminuição de força e da capacidade funcional dos pacientes críticos, assim essa medida pode complementar a avaliação, sendo utilizada como um marcador de prognóstico para pacientes que não tem capacidade de realizar um teste funcional.

Uso na musculatura respiratória

Além da avaliação da musculatura responsável pela movimentação funcional do corpo, também é possível avaliar a musculatura respiratória, o que torna esse instrumento ainda mais relevante dentro da prática em terapia intensiva.

A utilização da USG no diafragma, com intuito de deduzir o sucesso de extubação e avaliar o efeito do treinamento da musculatura respiratória vem sendo a cada vez mais estudado, pode ser obtido a partir da avaliação da quantidade de disfunção diafragmática e de sua atrofia.

Para a obtenção desses dados, é avaliada:

  • Excursão diafragmática: velocidade e mobilidade da cúpula diafragmática;
  • Espessura diafragmática: realizada durante a contração, relacionada com a geração de força do músculo.

A redução da espessura do diafragma se inicia logo nas primeiras 48 horas de ventilação mecânica (VM), e demonstra ser um preditor de falha de extubação e de desmame ventilatório prolongado.

Sendo assim, a USG é um método cada vez mais importante para conhecimento do fisioterapeuta, e que deve ser usado para melhorar a avaliação e o plano de tratamento dos pacientes críticos.

 

Por Tauane Gomes da Silva
Fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital INC
Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar
Mestre em Tecnologia em Saúde pela PUC PR

 

Referências

Mourtzakis M, Wischmeyer P. Bedside ultrasound measurement of skeletal muscle. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2014 Sep;17(5):389-95.

Parry SM, El-Ansary D, Cartwright MS, Sarwal A, Berney S, Koopman R, Annoni R, Puthucheary Z, Gordon IR, Morris PE, Denehy L. Ultrasonography in the intensive care setting can be used to detect changes in the quality and quantity of muscle and is related to muscle strength and function. J Crit Care. 2015 Oct;30(5):1151.e9-14.

Chi-Fishman G, Hicks JE, Cintas HM, Sonies BC, Gerber LH. Ultrasound imaging distinguishes between normal and weak muscle. Arch Phys Med Rehabil. 2004 Jun;85(6):980-6.

Puthucheary ZA, Rawal J, McPhail M, Connolly B, Ratnayake G, Chan P, Hopkinson NS, Phadke R, Dew T, Sidhu PS, Velloso C, Seymour J, Agley CC, Selby A, Limb M, Edwards LM, Smith K, Rowlerson A, Rennie MJ, Moxham J, Harridge SD, Hart N, Montgomery HE. Acute skeletal muscle wasting in critical illness. JAMA. 2013 Oct 16;310(15):1591-600.

Goligher EC, Laghi F, Detsky ME, Farias P, Murray A, Brace D, Brochard LJ, Bolz SS, Rubenfeld GD, Kavanagh BP, Ferguson ND. Measuring diaphragm thickness with ultrasound in mechanically ventilated patients: feasibility, reproducibility and validity. Intensive Care Med. 2015 Apr;41(4):734. doi: 10.1007/s00134-015-3724-2.

Dubé BP, Dres M, Mayaux J, Demiri S, Similowski T, Demoule A. Ultrasound evaluation of diaphragm function in mechanically ventilated patients: comparison to phrenic stimulation and prognostic implications. Thorax. 2017 Sep;72(9):811-818.