Fisioterapia aquática em Unidade de Terapia Intensiva Neo-Pediátrica

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) trata-se de um setor fechado e, por mais que hajam todos os cuidados do mundo pelos colaboradores, não deixa de ser um ambiente estressor.

Barulhos de alarmes de monitores, ventiladores mecânicos, bombas infusoras, portas, conversas e outros mais ruídos podem servir como fatores de risco para o estresse dento da UTI.

Existe um determinado perfil de pacientes, os bebês, que pode ser contemplado com uma técnica relaxante e terapêutica para tentar fugir de toda esta sobrecarga sensorial.

Trata-se da fisioterapia aquática ou hidrocinesioterapia. Alguns nomes populares também vêm sendo utilizados como banho de ofurô ou banho no balde.

A fisioterapia aquática pode ser uma atividade saudável e de prevenção.

 

 

 

 

 

 

Esta modalidade terapêutica pode ser utilizada com eficiência como tratamento coadjuvante na terapia de sono, para melhorar o estímulo à alimentação, como método de redução da dor e estresse e na prevenção de anormalidades posturais.

Dentro da UTI, a técnica tem se mostrado benéfica em neonatos estáveis clinicamente quando feita com técnica elaborada por profissionais competentes e com o apoio de toda a equipe multiprofissional.

Como fazer?

Para a realização do “banho terapêutico”, é necessário apenas um recipiente (balde ou ofurô) e água quente, entre 38 e 42 graus Celcius.

Evita-se utilizar cubas de metal para evitar risco de queimaduras no bebê, caso seja utilizado algum artefato térmico na água para aquecê-la.

Os recipientes utilizados também não podem ser muito porosos para que seja possível uma boa higienização e desinfecção.

O bebê deve ser colocado submerso na água até o pescocinho, ficando apenas com a cabecinha para fora.

O motivo disso é utilizar de uma propriedade que é a pressão hidrostática, fazendo com que todo o corpinho do bebê receba a mesma pressão e o mesmo contato, com a exceção das mãos do profissional.

Ao ser submerso na água, o bebê começa a ter sensações muito parecidas às sentidas quanto estava ainda na barriga da mamãe: um lugar quentinho, confortável e totalmente protegido.

Estas sensações associadas aos benefícios da água quente, favorecem o relaxamento e sensação de bem-estar.

Os movimentos a serem realizados são o de flutuação, turbilhonamento na água e até técnicas de massoterapia e/ou manobras de fisioterapia respiratória.

Vale salientar que por mais que seja um “banho terapêutico”, sabonetes em barra ou líquido não devem ser utilizados para garantir a segurança do bebê, impedindo assim que ele escorregue pelas mãos do fisioterapeuta.

Mais benefícios

Fisiologicamente, a técnica auxilia na diminuição de alguns dados vitais como frequência cardíaca e respiratória e aumenta outro dado que vem a ser a saturação periférica de oxigênio.

Todos estes dados somados corroboram para uma melhor homeostasia do bebê.

Em casos de análise comportamental, o “banho terapêutico” pode diminuir a dor e o estresse dos bebês, dados estes estudados através da utilização de escalas subjetivas como a Escala de Brazelton Modificada e a Sistema de Codificação de Atividade Facial Neonatal (NFCCS).

Em suma, através da hidrocinesioterapia, os recém-nascidos acabam sendo contemplados com a diminuição da sobrecarga sensorial.

Isto implementa uma grande lista de benefícios como: melhora do ciclo de sono X vigília, diminuição ou profilaxia da perda de peso, melhora do estímulo durante a amamentação, melhora da plasticidade cerebral devido a melhora do fluxo sanguíneo, diminuição dos níveis de cortisol melhorando a homeostasia devido a diminuição do hormônio do estresse.

Ainda há mais um benefício a ser ressaltado, o carinho trocado durante todo este momento.

Sem dúvida alguma, quando a técnica fisioterapia aquática é bem indicada e ainda é realizada de maneira eficaz pelo profissional ou indivíduo que está fazendo, o vínculo emocional enaltece os corações o que faz tornar a técnica ainda mais atrativa e realizada.

Por Juliana Thiemy Librelato.
Fisioterapeuta
Especialista em Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva
Especialista em Fisioterapia em Neo-Pediatria
Fisioterapeuta da Profísio Assistência Fisioterápica
Professora da Faculdade Inspirar

Referências

Getz M, Hutzler Y, Vermeer A. Effects of aquatic interventions in children with neuromotor impairments: a systematic review of the literature. Clin Rehabil. 2006;20(11):927-36.

Gaspardo CM, Linhares MBM, Martinez FE. A eficácia da sacarose no alívio de dor em neonatos: revisão sistemática da literatura. J Pediatr (Rio J). 2005;81:435-42.

Graven S. Sleep and brain development. Clin Perinatol. 2006;33:693-706.

Carine Vignochi¹, Patrícia P. Teixeira², Silvana S. Nader³. Effect of aquatic physical therapy on pain and state of sleep and wakefulness among stable preterm newborns in neonatal intensive care units. Rev Bras Fisioter. 2010;14(3):214-20.

Caromano FA, Themudo-Filho MRF, Candeloro JM. Efeitos fisiológicos da imersão e do exercício na água. Fisioter Bras. 2003;4(1):1-5.

Reabilitação precoce do paciente amputado

Amputação consiste na retirada total ou parcial de um membro não funcional devido doença ou lesão, sendo a amputação de membro inferior mais frequente que a de membro superior.

As causas mais comuns são diabetes, doença vascular periférica, infecções, traumas e tumores malignos e, dentre estas, as causas traumáticas correspondem a 20% dos casos, atingindo mais o adulto jovem do sexo masculino, decorrentes de acidentes de trânsito ou ferimentos por arma de fogo.

A cirurgia de amputação tem por objetivo retirar total ou parcialmente o membro acometido e criar novas perspectivas de funcionalidade para a região amputada.

Sabe-se que quanto mais longo o membro residual e melhor a qualidade da cicatrização, melhor o prognóstico de reabilitação e adaptação à prótese.

O programa de reabilitação no pós-operatório é dividido em fase pós-cirurgica, que compreende o tempo entre a cirurgia e a protetização, e a fase protética que se inicia com a entrega do membro de reposição permanente .

Quanto mais precoce iniciar o processo de reabilitação, melhor a recuperação e adaptação do paciente à nova condição e menor a chance de complicações como contraturas musculares, debilidade geral e estado psicológico depressivo.

A reabilitação necessitará de uma ação conjunta da equipe multidisciplinar e, quando possível, as ações de reabilitação podem ser iniciadas na fase pré-cirúrgica, com avaliação física, melhora do condicionamento cardiopulmonar, orientações sobre prognóstico funcional e metas de reabilitação a serem atingidas.

Nesta fase também se inicia o preparo psicológico para lidar com todo o processo, facilitando a aceitação da nova condição e adesão ao programa de reabilitação.

O fisioterapeuta precisa estar envolvido logo cedo no atendimento do paciente amputado.

O profissional é responsável por avaliar a condição do membro acometido, mensurar e melhorar sua função cardiopulmonar e fisiológica geral, pré e pós cirúrgica, analisar o grau de independência, identificar alterações de sensibilidade e dor fantasma, orientar o paciente, familiares ou cuidadores e definir planos para alta hospitalar.

 

Fase hospitalar

Após o procedimento cirúrgico, o fisioterapeuta se depara com um paciente fragilizado pelo procedimento, em luto (ou em negação) pela perda do membro acometido e apresentando quadro álgico intenso, tanto no local da incisão cirúrgica, quanto no membro fantasma.

Os primeiros atendimentos não são fáceis e é necessário que toda a equipe esteja envolvida a fim de acolher o paciente de forma humanizada, amenizar o sofrimento, gerar conforto e incentivar a adesão do paciente e familiares no processo de reabilitação.

O fisioterapeuta terá como objetivo:

  • Garantir um equilíbrio muscular adequado, recuperando a função muscular prévia através de recursos como cinesioterapia, eletroestimulação e retirada precoce do leito.
  • Amenizar o quadro álgico no membro acometido e em outras regiões. É comum o paciente desenvolver áreas de tensão muscular devido ao tempo de imobilidade no leito, pela ansiedade e pelo quadro álgico, que mesmo com alternativas medicamentosas, demoram a se resolver. O fisioterapeuta pode utilizar de terapias manuais, bandagem funcional, eletro e termoterapia para auxiliar neste momento.
  • Impedir contraturas musculares e posturas viciosas assim como iniciar o processo de dessensibilização e modelagem do coto assim que for liberado pelo médico cirurgião responsável.
  • Estimular o paciente no desenvolvimento de habilidades, através dos treinos de transferências, de deambulação com muletas e de equilíbrio em ortostase.
  • Facilitar a aceitação da nova condição e favorecer o ajuste da imagem corporal.
  • Orientar o paciente e familiares quanto ao processo de reabilitação em todas as fases e sanar possíveis dúvidas que certamente surgirão.

Sucesso na Reabilitação

O sucesso do programa de reabilitação se dá pelo estado psicológico e fisiológico do paciente e pelas características do membro residual, garantindo a recuperação da funcionalidade pré-amputação.

É um processo longo, com várias etapas e objetivos a serem alcançados, porém com o comprometimento de todos os envolvidos o resultado deve ser favorável e o paciente será capaz de retomar sua vida, objetivos e sonhos que poderão ser os mesmos ou novos.

Existem vários pacientes amputados que nos marcaram, além de tantos outros exemplos ao nosso redor.

Exemplos de que a falta de um membro ou parte dele não limita e que sempre podemos superar os obstáculos que surgirem no caminho.

 

Por Larissa Mello Dias
Fisioterapeuta Prófisio – Coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Trabalhador
Supervisora da Pós Graduação de Fisioterapia em Terapia Intensiva, Treinamento em Serviço – Faculdade Inspirar
Especialização em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Branddom R.L., Chan L., Harrast M.A. Physical Medicine and Reabilitation. 4ª edição. Ed. Elsevier. 2011.

O’Sullivan S.B., Schmitiz T.J. Fisioterapia – Avaliação e Tratamento. 5ª edição. Ed. Manole. 2010.

Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. 2ª edição. Brasilia – DF. 2014.

Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ministério da Educação. POP: Fisioterapia Ambulatorial em Amputado de Membro Inferior – Unidade de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Universidade do Triângulo Mineiro – Uberaba: EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, 2015.

Department of Veterans Affairs, Department of Defense. VA/DoD Clinical Practice Guideline for Rehabilitation of indiviuals with Lower Limb Amputation. Version 2.0. United States of America, 2017.

Chamlian T.R., Santos J.K., Faria C.C., Pirrelo M.S., Leal C.P. Dor relacionada à amputação e funcionalidade em indivíduos com amputações de membros inferiores. Acta Fisiatr. 2014;21(3):113-116.

Branco R.L.L., Santos K.P.B., Luz S.C.T. Promovendo a saúde da pessoa amputada: uma ação educativa chamada conversa no leito. Cad. Bras. Ter. Ocup., São Carlos, v.25, n. 3, p. 641-648, 2017.

Escala de Estado Funcional em UTI: FSS-ICU

É comum encontrarmos pacientes críticos com fraqueza muscular e comprometimento funcional que podem persistir por muito tempo após a alta.

A aplicação de escalas de funcionalidade tem como objetivo principal minimizar esta perda funcional adquirida, além de preservar ou recuperar a capacidade do paciente em realizar tarefas básicas de mobilidade.

A avaliação do desempenho funcional é vista, cada vez mais, como uma medida preciosa de resultado em testes clínicos e são comumente utilizadas na identificação do diagnóstico e prognóstico para nortear o terapeuta na elaboração de tratamentos e prevenção de incapacidades físicas.

Dentre as ferramentas citamos a Escala de Estado Funcional para UTI ( FSS-ICU), uma medida de desfecho que avalia a função física e foi especialmente desenvolvida para pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), traduzida e validada para a língua portuguesa.

Esta ferramenta envolve cinco tarefas funcionais:

  • rolamento
  • transferir-se da posição supina para sentada
  • transferir-se da posição sentada para em pé
  • sentar-se à beira do leito
  • caminhar

Definições do Escore

Cada uma das tarefas recebe uma pontuação de zero a 7, com escore máximo 35, onde quanto mais elevado, maior integridade física e independência.

 

Escore

Definição

0

incapaz de tentar ou concluir a tarefa completa em razão de fraqueza

1

Dependência total

2

Assistência máxima (o paciente realiza ≤ 25% do trabalho)

3

Assistência moderada (o paciente realiza 26% – 74% do trabalho)

4

Assistência mínima (o paciente realiza ≥ 75% do trabalho)

5

Apenas supervisão

6

Independência modificada

7

Independência total

 

Trush et al avaliou 101 pacientes que estiveram internados em 38 leitos nos Estados Unidos, durante 8 meses, utilizando a FSS-ICU, após os 4 dias da admissão e a cada 2 semanas até a alta.

Identificaram que o escore FSS-ICU melhorou significantemente durante a permanência na UTI, e esta ferramenta pode documentar as melhoras funcionais dos pacientes na UTI.

Da mesma forma Mehrholz et al  identificaram que o escore FSS-ICU pode prever a recuperação da função caminhar para pacientes com fraqueza muscular adquirida na UTI.

A FSS-ICU é uma ferramenta que pode facilmente ser integrada e utilizada pelo fisioterapeuta na avaliação da função física dos pacientes críticos e não exige qualquer equipamento adicional.

Por Maíra Maturana
Mestre em fisiologia
Docente na Faculdade Inspirar
Fisioterapeuta/Sócia Diretora da Profisio – unidade INC
Sócia Diretora da Faculdade Inspirar Campinas

Referências

Silva VZM, Neto JAA ,  Cipriano Jr.G Et al. Versão brasileira da Escala de Estado Funcional em UTI: tradução e adaptação transcultural. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(1):34-38

Thrush A, Rozek M, Dekerlegand JL. The clinical utility of the functional status score for the intensive care unit (FSS-ICU) at a long-term acute care hospital: a prospective cohort study. Phys Ther. 2012;92(12):1536- 45. 12.

Mehrholz J, Muckel S, Oehmichen F, Pohl M. First results about recovery of walking function in patients with intensive care unit-acquired muscle weakness from the General Weakness Syndrome Therapy (GymNAST) cohort study. BMJ Open. 2015;5(12):e008828

Martinez, B. P; Bispo, A. O, Duarte, A. C; Neto, M. Declínio funcional em uma unidade de terapia intensiva (uti), rev. Inspirar movimento e saúde, vl.5, n 1, ed. 23 de março de 2013.

 

Ultrassonografia muscular em UTI

Não é novidade que a doença crítica causa inúmeras consequências relacionadas à funcionalidade para o indivíduo em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O principal limitador de função, tanto na fase intra-hospitalar quanto na pós-hospitalar, é a fraqueza muscular adquirida em UTI, causada principalmente pelo imobilismo decorrente da instabilidade desses pacientes.

A mobilização precoce é o principal recurso utilizado pela fisioterapia na UTI, com objetivo de prevenir e diminuir essa perda de massa e força muscular.

Porém, a avaliação da força e da massa muscular ainda é uma dificuldade muito presente no ambiente de pacientes críticos.

Alguns dos recursos que podem ser utilizados para esta prática trazem limitações, como a perimetria, que é influenciada pelo balanço hídrico do paciente, e exames como tomografia e ressonância, que não podem ser realizados a beira leito, necessitando de transporte e sendo de alto custo.

A ultrassonografia (USG) como alternativa

A ultrassonografia (USG) aparece em vários estudos como um aliado a avaliação de massa muscular de pacientes criticamente enfermos.

A USG é considerada como um recurso confiável, seguro, acurado, facilmente aplicável e não invasivo para a avaliação muscular.

Além de não necessitar da colaboração do paciente, é um recurso portátil e com capacidade equivalente aos outros exames de imagem.

Com a utilização da USG é possível quantificar a perda de massa muscular, inferir diminuição de força muscular e observar a presença de necrose com acúmulo de colágeno e de gordura no músculo.

Recurso reconhecido

A importância desse recurso para os fisioterapeutas já é reconhecida pela lei federal 12.842, 12 de julho de 2013, e pelas resoluções 381/2010 e 400/2011 (Artigo 3º) do COFFITO, em que ressaltam que o fisioterapeuta especialista pode utilizar a USG com objetivo de realizar diagnóstico e avaliação de resultados.

A imagem da USG é obtida por meio de um transdutor, que emite ondas de ultrassom, acoplado a pele. Essas ondas se impactam com as estruturas do corpo e retornam para o transdutor formando uma imagem.

Geralmente, a avaliação musculoesquelética é realizada nos planos transversal e longitudinal, sendo quantificado espessura do músculo, área de secção transversa, ecointensidade e o ângulo e comprimento do fascículo.

Para que a avaliação por meio do USG seja validada é necessário padronizar as medidas entre os examinadores, buscando reprodutibilidade, e isso é possível por meio de um treinamento para padronização de protocolos.

É importante lembrar

É importante que o profissional domine as técnicas de aquisição de imagem, como qual transdutor escolher e qual área do músculo avaliar, posicionamento do transdutor e o cuidado para não comprimi-lo contra a região avaliada.

Inicialmente, eram mais utilizadas as medidas de espessura ou área de secção transversa muscular, que são relacionadas ao volume muscular, porém a diminuição de força muscular nem sempre estava relacionada a espessura.

Em complemento, um estudo relacionou o aumento da ecointensidade muscular com a diminuição de força e da capacidade funcional dos pacientes críticos, assim essa medida pode complementar a avaliação, sendo utilizada como um marcador de prognóstico para pacientes que não tem capacidade de realizar um teste funcional.

Uso na musculatura respiratória

Além da avaliação da musculatura responsável pela movimentação funcional do corpo, também é possível avaliar a musculatura respiratória, o que torna esse instrumento ainda mais relevante dentro da prática em terapia intensiva.

A utilização da USG no diafragma, com intuito de deduzir o sucesso de extubação e avaliar o efeito do treinamento da musculatura respiratória vem sendo a cada vez mais estudado, pode ser obtido a partir da avaliação da quantidade de disfunção diafragmática e de sua atrofia.

Para a obtenção desses dados, é avaliada:

  • Excursão diafragmática: velocidade e mobilidade da cúpula diafragmática;
  • Espessura diafragmática: realizada durante a contração, relacionada com a geração de força do músculo.

A redução da espessura do diafragma se inicia logo nas primeiras 48 horas de ventilação mecânica (VM), e demonstra ser um preditor de falha de extubação e de desmame ventilatório prolongado.

Sendo assim, a USG é um método cada vez mais importante para conhecimento do fisioterapeuta, e que deve ser usado para melhorar a avaliação e o plano de tratamento dos pacientes críticos.

 

Por Tauane Gomes da Silva
Fisioterapeuta na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital INC
Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar
Mestre em Tecnologia em Saúde pela PUC PR

 

Referências

Mourtzakis M, Wischmeyer P. Bedside ultrasound measurement of skeletal muscle. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2014 Sep;17(5):389-95.

Parry SM, El-Ansary D, Cartwright MS, Sarwal A, Berney S, Koopman R, Annoni R, Puthucheary Z, Gordon IR, Morris PE, Denehy L. Ultrasonography in the intensive care setting can be used to detect changes in the quality and quantity of muscle and is related to muscle strength and function. J Crit Care. 2015 Oct;30(5):1151.e9-14.

Chi-Fishman G, Hicks JE, Cintas HM, Sonies BC, Gerber LH. Ultrasound imaging distinguishes between normal and weak muscle. Arch Phys Med Rehabil. 2004 Jun;85(6):980-6.

Puthucheary ZA, Rawal J, McPhail M, Connolly B, Ratnayake G, Chan P, Hopkinson NS, Phadke R, Dew T, Sidhu PS, Velloso C, Seymour J, Agley CC, Selby A, Limb M, Edwards LM, Smith K, Rowlerson A, Rennie MJ, Moxham J, Harridge SD, Hart N, Montgomery HE. Acute skeletal muscle wasting in critical illness. JAMA. 2013 Oct 16;310(15):1591-600.

Goligher EC, Laghi F, Detsky ME, Farias P, Murray A, Brace D, Brochard LJ, Bolz SS, Rubenfeld GD, Kavanagh BP, Ferguson ND. Measuring diaphragm thickness with ultrasound in mechanically ventilated patients: feasibility, reproducibility and validity. Intensive Care Med. 2015 Apr;41(4):734. doi: 10.1007/s00134-015-3724-2.

Dubé BP, Dres M, Mayaux J, Demiri S, Similowski T, Demoule A. Ultrasound evaluation of diaphragm function in mechanically ventilated patients: comparison to phrenic stimulation and prognostic implications. Thorax. 2017 Sep;72(9):811-818.

Gameterapia em ambiente hospitalar

Já pensou em estar internado e ter indicado como parte do tratamento jogos de videogame?

O uso dos videogames na recuperação de pacientes – a chamada gameterapia – já é uma realidade nos hospitais. Dessa forma, o processo se torna mais divertido e ajuda os pacientes a aceitarem melhor o tratamento.

A Prófisio foi pioneira no Brasil no uso dessa técnica. O Nintendo Wii, por exemplo, é um dos videogames que possuem sensores que respondem aos movimentos dos jogadores.

De acordo com o fisioterapeuta Dr. Bruno Coymbra do Amaral, estudos recentes sobre a gameterapia falam da melhora da motricidade em pacientes restritos ao leito e até mesmo para pacientes em recuperação de doenças cardiorrespiratórias, além de ajudar na prevenção do risco de delirium e promover diversão, saindo da monotonia das terapias convencionais.

Como funciona a gameterapia?

O procedimento está sendo cada vez mais utilizado em clínicas de fisioterapia e hospitais do Paraná e do Brasil. A Prófisio já realizou estudos em cima do uso da gameterapia na UTI e constatou que ele pode ser utilizado sem alterar a hemodinâmica do paciente, ou seja, ele é seguro.

A escolha do jogo vai depender do objetivo específico da reabilitação, os mais utilizados em nossos serviços são tênis e boxe, pois melhoram a coordenação motora pacientes de pós operatório, utilizamos também o Wii Sport, para trabalhar membros superiores e o Wii Fit para os inferiores.

Porém, deve-se lembrar que a gameterapia não funciona sozinha; outras atividades físicas, como por exemplo caminhadas ao ar livre e exercícios respiratórios, também são praticadas no hospital.

Fisioterapia pélvica no ambiente hospitalar

O fisioterapeuta é o grande responsável pela manutenção da funcionalidade que é dependente da mecânica/fisiologia muscular.

Proporcionar o máximo de independência nas atividades de vida diária é a preocupação da fisioterapia e isso se inicia ainda no internamento da UTI ou na enfermaria de um hospital, visando facilitar a vida dos pacientes, de seus cuidadores e familiares.

A Fisioterapia Pélvica envolve o estudo, prevenção e tratamento dos distúrbios cinético funcionais na pelve, com destaque para as disfunções pélvicas, anorretais, urinárias em mulheres, homens e crianças.

A musculatura do assoalho pélvico é responsável por sustentar órgãos dentro da cavidade abdominal. Atua durante as atividades sexuais e parto, faz a continência urinaria e fecal.

No entanto a alteração dessa musculatura, por hipo ou hiperatividade, incoordenação, fraqueza, encurtamento, distúrbios de fáscias, complacência ou contratura, pode acarretar em redução nas funcionalidades.

Frequentemente as alterações do assoalho pélvico em nossos pacientes são observadas com quadros de incontinência urinária, incontinência fecal e constipação intestinal.

Mas não é contraditório pensarmos em ganhar equilíbrio, marcha (capacidade de caminhar), controle de tronco, coordenação, força muscular e esquecermos de uma musculatura capaz de proteger o rim?

A dissinergia dos músculos do assoalho pélvico, ou seja, a sua incoordenação, faz com que a musculatura que deveria relaxar para a urina sair seja contraída. Essa incoordenação possibilita a ocorrência do refluxo vesico ureteral que é justamente a urina que está na bexiga retornar para o rim.

Isso é preocupante, pois pode acarretar no aumento de casos de infecções urinárias e de lesões renais que faz com que o tempo de internação seja prolongado ou até mesmo eleve o número de reinternações.

Ao deixar de iniciar precocemente o tratamento do assoalho pélvico, podemos atrasar o processo que irá promover ao paciente qualidade de vida da mesma forma que quando pensamos em trabalhar o ganho de marcha e equilíbrio.

Sabemos da dificuldade de promover a fisioterapia precoce e as barreiras que teremos que enfrentar para que os cuidados com o assoalho pélvico sejam integrados no processo de reabilitação, entretanto, somente avaliando de maneira ampla começaremos a pensar na reabilitação por completo dos pacientes assistidos dentro do ambiente hospitalar.

 

Por Leriane Leuzinski
Fisioterapeuta
Especialista em Fisioterapeuta Pélvica
Especialista em Terapia Intensiva
Coordenadora do Serviço de Fisioterapia Intensiva do Instituto de Neurologia de Curitiba

Bronquiolite e o tratamento da fisioterapia

Você já ouviu falar da Bronquiolite ou Síndrome do Bebê Chiador?

Ela é uma síndrome infecciosa viral, geralmente causada pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório), em 75% dos casos.

Trata-se de um comprometimento inicial do trato respiratório superior que evolui para manifestações do trato inferior, comprometendo, principalmente, os bronquíolos.

É um distúrbio obstrutivo de gravidade variável representado pela inflamação destas pequenas vias aéreas.

 

 

A bronquiolite afeta, exclusivamente, crianças até os 2 anos de idade, mais frequentemente entre 2 e 10 meses e sua incidência é de 20 a 25 casos a cada 100 crianças por anos, aproximadamente.

O vírus possui um aspecto de sazonalidade bastante importante, ele é mais frequente nos períodos em que as temperaturas se apresentam mais baixas.

A Bronquiolite é uma patologia contagiosa com risco de 1 ou 2% de a criança ser hospitalizada; dentro desta população, 15% pode necessitar de Unidade de Terapia Intensiva, desenvolve-se desconforto respiratório agudo em 5% dos casos e 1 a 3% podem evoluir a óbito.

Sendo assim, entramos em um período sugestivo para discutir alguns aspectos deste distúrbio. Uma das maneiras de evitar o desenvolvimento da doença é evitar o contato da criança com outras pessoas com IVAS (Infecções de Vias Aéreas Superiores), o que é bastante comum nas crianças que frequentam creches escolares; higienizar as mãos com álcool 70% e evitar ambientes fechados.

A criança com bronquiolite apresenta-se, inicialmente com os sintomas de uma doença comum das vias aéreas superiores, sendo eles: febre, coriza, dificuldade nas mamadas e/ou alimentação e tosse.

Com a evolução, os sinais podem se agravar com a presença da dispneia, sibilos expiratórios (por isso o nome de Síndrome do Bebê Chiador) audíveis até à distância, tosse inicialmente seca e depois produtiva, hiperinsuflação e esforço respiratório podendo chegar a fadiga muscular e evoluir para a utilização de ventilação mecânica.

O acompanhamento fisioterápico na bronquiolite torna-se uma terapia adjuvante ao tratamento clínico.

Por ser um distúrbio obstrutivo, as técnicas de higiene brônquica são muito bem-vindas, no entanto, as terapias que utilizam ondas de choque devem ser evitadas para não aumentar a hiper-reatividade brônquica caso esta seja uma condição presente no quadro clínico da criança.

A reversão e/ou a profilaxia de processos atelectásicos também fazem parte do tratamento fisioterápico.

Vale ainda salientar que como a doença acomete crianças que apresentam-se em constante desenvolvimento neuro-psico-motor, a fisioterapia deve atuar o mais precoce possível para que o mesmo não seja prejudicado ou retardado.

Infelizmente, na literatura, ainda há muita controvérsia sobre a real eficácia da atuação da fisioterapia na bronquiolite, pois poucos são os estudos randomizados ou controlados.

No entanto, a fisioterapia respiratória tem sido utilizada para desobstrução, higiene brônquica, prevenção de atelectasias e recrutamento alveolar, pois contribui para diminuição da resistência das vias aéreas, promovendo melhor ventilação-perfusão (através dos canais colaterais) e consequentemente, diminuindo o trabalho ventilatório, pela remoção do excesso de muco que se acumula nas vias aéreas das crianças nestas condições.

 

Por Juliana Thiemy Librelato

Fisioterapeuta
Especialista em Fisioterapia em Unidade de Terapia Intensiva
Especialista em Fisioterapia em Neo-Pediatria
Fisioterapeuta da Profísio Assistência Fisioterápica
Professora da Faculdade Inspirar

 

Referências Bibliográficas

  • Princípios e práticas de ventilação mecânica em pediatria e neonatologia / George Jerre Vieira Sarmento. Barueri, SP: Manole 2011.
  • Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia / George Jerre Vieira Sarmento, Fabiane Alves de Carvalho, Adriana de Arruda Falcão Peixe. Barueri, SP: Manole 2007.
  • Luisi, F. O papel da fisioterapia na bronquiolite viral aguda. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p. 39-44, jan./mar. 2008

15 de Março – Dia Mundial do Sono

Hoje, 15 de março, comemoramos o Dia Mundial do Sono, data criada pela Associação Mundial de Medicina do Sono (World Association of Sleep Medicine), para conscientizar a população sobre a importância do sono regular.

O sono é um complexo fenômeno biológico que ocupa, temporalmente, um terço da duração da vida humana, sendo essencial para o descanso, a reparação, qualidade de vida e a sobrevivência do indivíduo.

O ambiente da Unidade de Terapia Intensiva UTI é propício para um sono de má qualidade, uma vez que eventos estressores como luz, ruídos, manipulação pelos cuidados, dor, entre outros acabam por interromper a continuidade ou até mesmo inibir o sono.

Este sono de má qualidade e a fragmentação dele, ocorrência frequente na UTI, tem como consequências o comprometimento da função imunológica, aumento da probabilidade de delirium, fadiga, sensibilidade a dor, resultando em prejuízo físico e cognitivo.

Para minimizar o efeito deletério de um dos fatores estressores, a luminosidade, que independente dos níveis de intensidade pode reduzir e até inibir a secreção de melatonina, hormônio envolvido na regulação do ciclo sono-vigília, máscaras para os olhos podem ser ofertadas aos pacientes com o intuito de reduzir o número de despertares e melhorar a qualidade do sono.

 

Bibliografia
BELTRAMI FG, NGUYEN XL, PICHEREAU C, MAURY E, FLEURY B, FAGONDES S. Sono na Unidade de Terapia Intensiva, J Bras Pneumol. 2015;41(6):539-546

PITROWSKY M.T., SHINOTSUKA C.S., LIMA M.A.S.D., SALLUH J.I.F. Importância da monitorização do delirium na unidade de terapia intensiva. Rev. bras. ter. intensiva vol.22 no.3 São Paulo July/Sept. 2010

NASCIMENTO, J. V. do. Transtornos do sono em pacientes internados na UTI: uma revisão integrativa. 2016. 36f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2016

 

Por Maíra Maturana
Mestre em fisiologia
Docente na Faculdade Inspirar
Fisioterapeuta/Sócia Diretora da Profisio – unidade INC
Sócia Diretora da Faculdade Inspirar Campinas

Prancha Ortostática como recurso fisioterapêutico da UTI ao ambulatório

O uso da prancha ortostática é indicado para readaptar os pacientes à posição vertical quando o mesmo é incapaz de manter essa postura sozinho ou até mesmo com considerável assistência.

O sistema musculoesquelético é projetado para se manter em movimento. Em apenas sete dias de repouso no leito a força muscular diminui em 30%, com uma perda adicional de 20% da força restante a cada semana. A permanência prolongada de pacientes em unidade de terapia intensiva (UTI) em uso de ventilação mecânica (VM) está associada ao declínio funcional, morbidades, mortalidade, cuidados de alto custo e longo tempo de internação. A sepse, distúrbios hidroeletrolíticos e a imobilidade são causas da polineuropatia do doente crítico.

O repouso prolongado no leito resulta em alteração nas fibras musculares. As isoformas de miosina mudam de fibras de contração lenta para rápida, a síntese de proteínas é reduzida e o desuso atrofia o músculo esquelético. Em estados de doença inflamatória a proteólise muscular é acelerada e o músculo pode sofrer “denervação funcional”, relacionada a diminuição nos impulsos nervosos que chegam à membrana muscular. Esse tipo de fraqueza afeta tanto os músculos dos membros quanto os respiratórios, o que prolonga o uso da VM. Os exercícios realizados no leito por si só não evitam os efeitos adversos do repouso. Esse achado está relacionado à mudança do fluído intravascular das extremidades para a caixa torácica pela remoção do stress gravitacional. No entanto, o fato de assumir a posição vertical ajuda a manter uma distribuição de fluídos adequada e inferiorização das vísceras abdominais. Por essa razão é recomendado que o ortostatismo seja incluído no programa de mobilização precoce, a fim de minimizar os efeitos adversos da imobilidade.

O ortostatismo, como recurso terapêutico, pode ser adotado de forma passiva ou ativa para a estimulação motora, melhora da função cardiopulmonar e do estado de alerta. O uso da prancha ortostática é indicado para readaptar os pacientes à posição vertical quando o mesmo é incapaz de manter essa postura sozinho ou até mesmo com considerável assistência.

Além dos benefícios já descritos, a prática do ortostatismo em doentes críticos tem sido encorajada com base em outros supostos benefícios, que incluem melhora do controle autonômico do sistema cardiovascular, melhora da oxigenação, aumento da ventilação, estimulação vestibular, prevenção de contraturas articulares e úlcera por pressão.

Com base no perfil de pacientes das unidades de terapia intensiva, Hospitalar e ambulatorial à utilização da prancha ortostática, justifica-se pela otimização da assistência e processo de reabilitação.

Autora: Sabrina Donatti – Coordenadora Fisioterapia (PRÓFISIO)

REFERÊNCIAS

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