Prancha Ortostática como recurso fisioterapêutico da UTI ao ambulatório

O uso da prancha ortostática é indicado para readaptar os pacientes à posição vertical quando o mesmo é incapaz de manter essa postura sozinho ou até mesmo com considerável assistência.

O sistema musculoesquelético é projetado para se manter em movimento. Em apenas sete dias de repouso no leito a força muscular diminui em 30%, com uma perda adicional de 20% da força restante a cada semana. A permanência prolongada de pacientes em unidade de terapia intensiva (UTI) em uso de ventilação mecânica (VM) está associada ao declínio funcional, morbidades, mortalidade, cuidados de alto custo e longo tempo de internação. A sepse, distúrbios hidroeletrolíticos e a imobilidade são causas da polineuropatia do doente crítico.

O repouso prolongado no leito resulta em alteração nas fibras musculares. As isoformas de miosina mudam de fibras de contração lenta para rápida, a síntese de proteínas é reduzida e o desuso atrofia o músculo esquelético. Em estados de doença inflamatória a proteólise muscular é acelerada e o músculo pode sofrer “denervação funcional”, relacionada a diminuição nos impulsos nervosos que chegam à membrana muscular. Esse tipo de fraqueza afeta tanto os músculos dos membros quanto os respiratórios, o que prolonga o uso da VM. Os exercícios realizados no leito por si só não evitam os efeitos adversos do repouso. Esse achado está relacionado à mudança do fluído intravascular das extremidades para a caixa torácica pela remoção do stress gravitacional. No entanto, o fato de assumir a posição vertical ajuda a manter uma distribuição de fluídos adequada e inferiorização das vísceras abdominais. Por essa razão é recomendado que o ortostatismo seja incluído no programa de mobilização precoce, a fim de minimizar os efeitos adversos da imobilidade.

O ortostatismo, como recurso terapêutico, pode ser adotado de forma passiva ou ativa para a estimulação motora, melhora da função cardiopulmonar e do estado de alerta. O uso da prancha ortostática é indicado para readaptar os pacientes à posição vertical quando o mesmo é incapaz de manter essa postura sozinho ou até mesmo com considerável assistência.

Além dos benefícios já descritos, a prática do ortostatismo em doentes críticos tem sido encorajada com base em outros supostos benefícios, que incluem melhora do controle autonômico do sistema cardiovascular, melhora da oxigenação, aumento da ventilação, estimulação vestibular, prevenção de contraturas articulares e úlcera por pressão.

Com base no perfil de pacientes das unidades de terapia intensiva, Hospitalar e ambulatorial à utilização da prancha ortostática, justifica-se pela otimização da assistência e processo de reabilitação.

Autora: Sabrina Donatti – Coordenadora Fisioterapia (PRÓFISIO)

REFERÊNCIAS

Adam, S, Forrest S. ABC of intensive care: other supportive care. BMJ. 1999;319(7203):175-8. Review.
Perme C, Chandrashekar R. Early mobility and walking program for pacients in intensive care unitis: creating a standard of care. Am J Crit Care. 2009;18(3):212-21.
Jerre G, Silva TJ, Beraldo MA, Gastaldi A, Kondo C, Leme F, et al. Fisioterapia no paciente sob ventilação mecânica. J Bras Pneumol. 2007;33: 142-50.
Needham DM, Mobilizing pacientes in the intensive care unit: improving neuromuscular weakness and physical function. JAMA. 2008;300(14):1685-90.
Morris PE, Herridge MS. Early intensive care unit mobility: future directions. Crit Care Clin. 2007;23(1):97-110.
Chang AT, Boots R, Hodges PW, Paratz J. Standing with assistance of a tilt table in intensive care: a survery of Australian physiotherapy practice. Aust J Physioter. 2004;50(1)51-4.
Luque A, Martins CGC, Silva MSS, Lanza FC, Gazzotti MR. Prancha ortostática nas unidades de terapia intensiva da cidade de São Paulo. O Mundo da Saúde. 2010;34(2):225-229.
Vellar CM, Forti Júnior G. Ortostatismo passivo em pacientes comatosos na UTI – um estudo preliminar. Ver Neurociênc. 2008;16(1):16-9.
Sibinelli M, Maioral DC, Eiras AL, et al. The effects of orthostatism in adult intensive care units patients. Rev Bras Ter Intensiva. 2012;24(1):64-70.

20 anos de Prófisio

E assim se passaram 20 anos. Nos divertimos, construímos, inovamos, criamos, desconstruimos, planejamos e reabilitamos. Aqui conhecemos as nossas melhores amizades e gargalhadas, aqui descobrimos que não sabíamos nada e sabíamos tudo, aqui choramos e nos entregamos de corpo e alma para que a fisioterapia seja sempre além da reabilitação!!!

Prófisio marca preseça no Congresso Pan e Ibérico de Medicina Intensiva

Aconteceu na semana de 09 a 12 de novembro em Porto Alegre-RS, o maior e mais importante evento de Medicina Intensiva da América Latina, Congresso Brasileiro, Pan e Ibérico de Medicina Intensiva. O evento pode contar com milhares de participantes e palestrantes do mundo inteiro. A equipe PRÓFISIO também marcou presença com congressistas e palestrantes com o intuito de adquirir e compartilhar conhecimentos e realidades. Estiveram presentes Dr. Esperidião Elias Aquim (presidente da Empresa Prófisio), Dr. Eduardo Eberhardt (coordenador da PróPará), Dra. Maíra Jaquelyni Maturana (coordenadora da PróINC) e Dra. Juliana Thiemy Librelato (coordenadora da PróMarcelino). O evento foi um grande sucesso. A equipe agora se prepara para o Congresso Mundial de Medicina Intensiva que acontecerá em novembro de 2017 na Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro-RJ.

Gameterapia

Videogame ajuda na recuperação de pacientes em hospital público do Pará.

Na chamada ‘gameterapia’ até quem está na UTI usa jogos eletrônicos. Tratamento com games acelerou alta da maioria dos pacientes.

O Bom Dia Brasil mostra uma experiência de sucesso em um hospital público do Pará: a equipe de Fisioterapia usa videogames para acelerar a recuperação dos pacientes. O programa ajuda até quem está na UTI. Assista à reportagem completa no vídeo acima.

No Hospital Público Estadual Galileu, especializado em ortopedia e cardiologia, na Grande Belém, 20 pacientes fazem a chamada gameterapia. Segundo os médicos, a maioria dos pacientes que fizeram o tratamento com jogos eletrônicos teve alta até três dias antes do previsto.

Artigo originalmente publicado em http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/11/videogame-ajuda-na-recuperacao-de-pacientes-em-hospital-publico-do-pa.html

Os benefícios da WiiRehabilitation

Pacientes com sequelas de AVC, de Parkinson e de TRM utilizam o videogame da Nintendo para terapia intensiva

A realidade virtual vem crescendo cada vez mais no mundo inteiro e graças a ela a monotonia dos atendimentos de fisioterapia está se tornando mais escassa. Com o avanço da tecnologia, os videogames foram evoluindo proporcionando jogos cada vez mais reais o que faz a população ter um interesse maior sobre este aparelhinho, que antes era abominado pelo fato de incentivar o sedentarismo. Hoje, a realidade é outra, os videogames estão muito mais interativos a ponto de não precisarmos mais de controles para nos divertir, pois com os sensores existentes nos aparelhos é possível a captação de nossos movimentos e, com isso, é possível fazer uma atividade física, ou seja, deixar o sedentarismo de lado.

Este tipo de entretenimento começou com o crescimento da WiiRehabilitation, no Canadá, por volta de 2006, onde os pacientes com sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), de Parkinson e TRM (Trauma Raqui-Medular) faziam uso da terapia para que os movimentos fossem reconquistados ou, então, aprimorados.

A WiiRehabilitation já está no Brasil há três anos. Ela foi iniciada em atendimentos ambulatoriais, ou seja, em clínicas de fisioterapia para diversos tipos de tratamento como, por exemplo, pós-operatórios de cirurgias ortopédicas, reabilitação vestibular, condicionamento cardiorrespiratório, dentre outras tantas infinidades de opções.

Os resultados foram tão bons que a WiiRehabilitation ganhou o seu espaço dentro dos hospitais, ou seja, nas unidades de internamento, nas unidades de terapia intensiva. Mas como assim? Pacientes jogam videogame no hospital? Tem um videogame para cada paciente?

As respostas são: SIM e NÃO. Os pacientes jogam sim videogame no hospital, com o objetivo de mobilizá-los mais, prevenir a imobilidade no leito, condicionar o sistema cardiorrespiratório, trabalhar o equilíbrio, ganhar força muscular, ganhar amplitude de movimento das articulações e, o principal, proporcionar mais diversão durante todo o atendimento da fisioterapia. Os pacientes, então, aderem muito mais ao tratamento.

Agora, não é possível ter um videogame para cada leito. Então, um carrinho foi criado para que o videogame pudesse percorrer por todo o hospital. Assim, é possível atender os pacientes das UTI´s, das unidades de internamento e do ambulatório.

O carrinho é composto de três compartimentos. No primeiro, é o espaço para a televisão junto com o sensor de movimento; no segundo, é o local onde ficam o videogame, seu controle e sua plataforma de movimento, ou balance board; e, no terceiro, há um espaço para que sejam colocados outros objetos que podem auxiliar na terapia da WiiRehabilitation, como caneleiras, bolas, halteres. Esta ferramenta foi elaborada através de uma parceria entre a Faculdade Inspirar e o Hospital Vita tornando-se uma ideia pioneira em âmbito hospitalar no Brasil.

O carrinho possui rodinhas em baixo dele e puxadores nas suas laterais para que esse possa ser levado por todo o hospital. Houve uma preocupação muito grande na hora de mandar fazer o carrinho com os fisioterapeutas que fossem utilizá-lo em suas terapias. O carrinho não poderia ser muito pesado, as rodinhas teriam que ter um bom deslizamento no solo, tudo isso pensando no bem estar do colaborador e, claro, na praticidade de estar realizando uma boa terapia durante todo o hospital.

A WiiRehabilitation é uma terapia muito bem quista pelos pacientes e pela equipe clínica, mas ela não seria possível se não fosse esta ferramenta tão importante que é o seu carrinho, sem ele não teríamos a praticidade de poder levar não só um tratamento, mas sim, uma diversão para cada paciente.

Por: Juliana Thiemy Librelato é fisioterapeuta da Rede Prófisio e Professora da Faculdade Inspirar

Matéria publicada originalmente na Revista Época e pode ser acessado no link: http://exame.abril.com.br/tecnologia/os-beneficios-da-wiirehabilitation/

13 de Outubro – Dia do Fisioterapeuta

A habilidade de reabilitar, a arte de desenhar movimentos, o toque que faz tudo parecer suave, o talento que devolve gestos, a ciência que faz trocar passos, a engenharia que constrói músculos. Para este desenhistas, artistas, cientistas e engenheiros da Saúde Funcional: Feliz Dia do Fisioterapeuta !!!

Neste dia queremos compartilhar um pouco da nossa história, uma história escrita por algumas dezenas de mãos, por algumas centenas de amigos e por alguns milhares de pacientes.

Sejam bem vindos a Rede Prófisio !!!

Fisioterapia Aquática em UTI Neo-Pediátrica

A água é um dos meios de cura, um veículo de calor ou frio para o corpo que quando em contato com o mesmo, libera ações sobre o aparelho circulatório, produzindo efeitos de regularização do calor corporal. As reações da aplicação da água são três: nervosa; circulatória e térmica.

Por hidroterapia entende-se o tratamento pela água sob suas diversas formas e a temperaturas variáveis.

A hidroterapia tem sido utilizada como uma modalidade terapêutica tradicional por profissionais de saúde em uma ampla variedade de condições médicas. Historicamente, a água vem sendo altamente eficaz nos programas de reabilitação por fisioterapeutas como de exercícios em tanques específicos de hidroterapia ou em piscinas aquecidas. Mas o que ainda não é bem difundido é que esta técnica também é utilizada nas UTI´s Neo-Pediátricas. Pesquisas recentes afirmam ser uma atividade saudável e de prevenção que pode ser praticada no período neonatal e pediátrico, em pacientes estáveis sob orientação científica e com o uso de padronização, procedimentos técnicos de proteção e protocolos médicos.

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“Apps” para emagrecer

Quem disse que perder peso é sempre algo chato? Conheça aplicativos e jogos de videogame interativos que podem ajudar na dieta

Os videogames não são os mesmos. Normalmente associados ao sedentarismo, eles agora prometem ajudar quem decide encarar uma dieta. O mesmo vale para os aplicativos (também conhecidos como “apps”) para tablets e smartphones.

Há um ano, a professora de educação física Natália Scremin começou a usar um aplicativo que funciona como contador de calorias. Ela anota as refeições e o programa faz a conta do que foi consumido. Resultado: baixou seu peso de 65 para 55 quilos. Natália pratica exercícios físicos três vezes por semana, mas acredita que o programa ajudou bastante na dieta. “Eu não preciso ficar anotando nada, é mais dinâmico, mais fácil. Eu desistiria mais rápido se não fosse ele”, diz ela.

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